Comandante brasileiro cobra de ONG casos concretos de abuso de crianças no Haiti
Escrito por Daniela Alves em Maio 28, 2008
O comandante da Força de Paz no Haiti, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, pediu nesta terça-feira que a ONG Save the Children apresente os casos concretos em que militares são acusados de abuso sexual contra menores de idade no país. Depois de entrevistar centenas de crianças , a entidade com sede no Reino Unido identificou uma série de crimes: estupro, prostituição infantil, pornografia, ato indecente e tráfico de crianças com fins sexuais. As informações foram divulgadas na terça-feira.
O general disse que, só a partir de dados concretos, poderá mandar abrir inquéritos e, se for o caso, punir os responsáveis. Santos afirmou, no entanto, que até o momento desconhece o envolvimento de qualquer militar vinculado à ONU (Organização das Nações Unidas) com crimes sexuais no Haiti. A Força de Paz no Haiti é composta por militares do Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai e Chile, entre outros países.
O comandante disse que não teria nenhuma dificuldade em investigar e propor a punição de militares da Força de Paz que tenham cometido crime sexual contra moradores locais. Segundo o comandante, em casos assim, o procedimento é padrão. Os próprios representantes da ONU conduzem as investigações e enviam os resultados para os países de origem dos acusados. A partir daí, cabe as autoridades locais a aplicar a penas administrativas ou penais. Nos casos em que os indícios são mais fortes, os militares são afastados imediatamente de suas funções e mandados de volta para casa.
- Não se tem tolerância nesses casos, ainda mais quando se trata de crimes contra crianças. Não tem lero-lero - disse Santos.
- É duro imaginar um abuso de autoridade mais grotesco ou uma violação mais flagrante dos direitos das crianças - disse à CNN, Jasmine Whitbread, chefe da Save the Children UK.
No relatório, uma adolescente de 15 anos disse a pesquisadores no Haiti: “Eu e minhas amigas estávamos caminhando pelo Palácio Nacional uma noite quando encontramos uns agentes humanitários. Os homens nos chamaram e nos mostraram o pênis. Eles nos ofereceram 100 gourdes (cerca de R$ 5) e chocolate para que fizéssemos sexo oral. Eu me recusei, mas uma das meninas o fez e pegou o dinheiro”.
A Save the Children UK afirmou que quase tão chocante quanto o abuso por si só são os relatos deles. A entidade acredita que milhares de crianças ao redor do mundo possam estar sofrendo em silêncio. De acordo com a organização assistencial, crianças contaram ficar bastante temerosas para relatar os abusos sofridos, acreditando que os agressores poderiam voltar e machucá-las, fazer com que elas não recebam mais ajuda humanitária das agências e até punir a família ou a comunidade.
Fonte: O Globo Online


Maio 29, 2008 às 12:00 pm
Oi, Daniela Alves, gostei muito do seu Blog por se tratar com temáticas que eu trabalho. Me chamo Danielle Figueiredo, moro em Belém do Pará, sou sociologa e trabalho numa ong chamada Sodireitos, que tem como atuação aqui na região amazônica o enfrentamento ao tráfico de pessoas, junto com outras ongs no Brasil e na America latina e caribe fazemos parte de uma rede chamada Gaatw, sigla em inglês, que significa Aliança Global Contra Tráfico de Mulheres, vi que vc tem linkado essa rede em seu blog, e mais alguns de nossos parceiros do Brasil. Vi que vc é a da area de relações internacionais, e vc tem experiencia com a questao do tráfico de pessoas e seus temas correlacionados: migração-trabalho escravo etc…Nos também fomos uma das organizações da sociedade civil que ajudou na elaboração junto ao governo na Politica e no Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, agora em fase de monitoramento do plano, e nossa ong está com a parte de acordos bilaterais, no momento estamos vendo junto aos ministerios responsaveis, como estao os acordos com paises de destino de tráfico e de origem tbm do Brasil..principalmente, o Surname, no qual a nossa pesquisa lançada recentemente, mostrou um grande numero de brasileiras (paraenses principalmente) em situação de tráfico, elas respondem juntamente com as dominicanas, como a grande maioria, caso queira o livro só entrar em contato comigo..bem, espero conversa ainda mais, creio que por aqui nao dará pra se estender muito!!
abs
Danielle
P.S: Deixo meu Blog para vc linkar e estou linkando o seu tbm!!
http://daniellelf19.blogspot.com
Junho 18, 2008 às 6:45 pm
Com base no relatório de uma organização internacional, reconhecida pela ONU, o comandante já não poderia abrir um inquérito? Essa exigência de um “caso concreto” parece mais uma tentativa de desviar do assunto e proteger os soldados…
Junho 24, 2008 às 11:04 am
Olá Juliana,
Obrigada pelo seu comentário. Sem dúvida há uma tentativa de proteger os soldados, aliás, mais que proteger os soldados, proteger a imagem dos militares e não admitir a incompetência da corporação em relação a estes casos; exigir a apresentação de casos concretos sabemos que é difícil, pois para provar o flagrante é necessário, e muito difícil, já que quem deveria proteger está abusando. O argumento do comandante pode sair pela tangente afirmando que não pode tomar nenhuma medida sem nada provado, o que é verdadeiro, mas, pelo sim ou pelo não, medidas de prevenção dentro das forças de paz e do próprio exército em nosso país e em outros países, nunca são demais e poderiam ajudar a diminuir este tipo de abuso, principalmente se deixassem frizado as medidas que poderiam ser tomadas contra aqueles que se quer estiverem sendo suspeitos de praticar estes abusos.
A impunidade e a falta de informação andam de braços dados com o aumento de abusos.