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A má­fia na Ter­ra San­ta

Publicado por Daniela Alves em Novembro 23, 2008

O as­sas­si­na­to de um dos che­fões da má­fia de Is­ra­el trou­xe à to­na o sub­mun­do vi­o­len­to de um pa­ís que já con­vi­ve com ou­tros ti­pos de vi­o­lên­cia e que por en­quan­to não sa­be o que fa­zer

HERBERT MORAES é correpondente da TV Record em Israel.

Meio-dia de se­gun­da-fei­ra. Nu­ma das ave­ni­das mais mo­vi­men­ta­das de Tel Aviv de ­re­pen­te uma ex­plo­são. Pâ­ni­co…. O car­ro on­de es­ta­va a bom­ba pra­ti­ca­men­te se de­sin­te­grou. O ho­mem que es­ta­va no ve­ícu­lo mor­reu na ho­ra. Ou­tras três pessoas fi­ca­ram fe­ri­das, en­tre elas um me­ni­no de 13 anos.

Es­ta his­tó­ria acon­te­ceu no iní­cio da se­ma­na pas­sa­da e em prin­cípio, mí­dia, po­lí­cia e mo­ra­do­res acre­di­ta­vam que era mais um ato ter­ro­ris­ta dos pa­les­ti­nos. Mas se en­ga­na­ram. A ví­ti­ma era o che­fão da má­fia is­ra­e­len­se. O Dom Cor­le­o­ne do sub­mun­do de Is­ra­el.

Ya­akov Al­pe­ron, co­nhe­ci­do co­mo Don Al­pe­ron, es­ta­va di­ri­gin­do o car­ro no su­búr­bio de Tel Aviv quan­do a bom­ba foi acio­na­da por con­tro­le re­mo­to. Coi­sa de fil­me.

Al­pe­ron ti­nha 54 anos e fi­gu­ra­va en­tre os prin­ci­pa­is lí­de­res do cri­me or­ga­ni­za­do em Is­ra­el, à fren­te do seu clã fa­mi­liar des­de a dé­ca­da de 70. A po­lí­cia te­me ago­ra uma vi­o­len­ta res­pos­ta e o iní­cio de uma lu­ta in­ter­na en­tre fa­mí­lias ma­fio­sas. Sim, elas exis­tem tam­bém na Ter­ra San­ta.

Da­vid Ben Gu­ri­on, o fun­da­dor de Is­ra­el, dis­se uma vez que “quan­do ti­ver la­drões e pros­ti­tu­tas Is­ra­el te­rá al­can­ça­do o es­tá­gio de um pa­ís nor­mal”. O cri­me or­ga­ni­za­do cum­pre o que o lí­der is­ra­e­len­se pre­viu há mais de 60 anos, mas com um pou­qui­nho mais de di­ver­si­fi­ca­ção. Além de ex­plo­rar a pros­ti­tu­i­ção e rou­bar, os ma­fio­sos is­ra­e­len­ses pa­tro­ci­nam o jo­go ile­gal, o trá­fi­co de dro­gas e ex­tor­são. Já ti­ve­ram até o mo­no­pó­lio da dis­tri­bui­ção de ec­stasy nos EUA e na Eu­ro­pa e ho­je dis­pu­tam o mes­mo mer­ca­do com ou­tros ma­fio­sos, co­mo os rus­sos e os co­lom­bi­a­nos.

Mar­ca­da pe­la vi­o­lên­cia po­lí­ti­ca ge­ra­da pe­lo con­fli­to com os pa­les­ti­nos, a so­ci­e­da­de is­ra­e­len­se es­tá as­sus­ta­da com a bru­ta­li­da­de do cri­me or­ga­ni­za­do. O ata­que des­ta se­ma­na po­de ter si­do o mais ela­bo­ra­do, mas já vêm de al­gum tem­po ações de gan­gues ri­vais em ou­tras ci­da­des do pa­ís.

No fi­nal de 2003 uma bom­ba ex­plo­diu perto de uma ca­sa de câm­bio no sul de Tel Aviv, o al­vo era Ze´ev Ro­sen­stein. Foi a sex­ta ten­ta­ti­va de ma­tá-lo. Ele é apon­ta­do co­mo o prin­ci­pal che­fe ma­fio­so de Is­ra­el e es­tá en­vol­vi­do nu­ma dis­pu­ta que já cau­sou pe­lo me­nos 30 mor­tes. Ro­sen­stein che­fia o clã que do­mi­na Tel Aviv e es­tá em guer­ra com a fa­mí­lia Al­ber­gil, da ci­da­de de Lod (an­tro do trá­fi­co de dro­gas), que con­tro­la a par­te do cri­me or­ga­ni­za­do em Je­ru­sa­lém. A ví­ti­ma des­ta se­ma­na foi jus­ta­men­te o che­fe do clã dos Alber­gil. Du­ran­te o en­ter­ro que le­vou par­te da cri­mi­na­li­da­de de Is­ra­el até o ce­mi­té­rio e que a po­lí­cia ape­nas ob­ser­vou, já que tam­bém os te­me, o fi­lho de Ya­akov pro­me­teu vin­gan­ça e dis­se que vai en­con­trar o res­pon­sá­vel. E dis­se que se­ja quem for te­rá os pés, as mãos e a ca­be­ça cor­ta­dos. Is­so bem na fren­te da po­lí­cia. Em al­to e bom som pa­ra quem qui­ses­se ou­vir.

Há ou­tros qua­tro gru­pos ma­fio­sos im­por­tan­tes em Is­ra­el. Mas nem to­dos são ju­deus. Uma das gran­des fa­mí­lias é for­ma­da por ára­bes be­du­í­nos. O co­lap­so da Uni­ão So­vi­é­ti­ca per­mi­tiu a imi­gra­ção de mi­lha­res de ju­deus rus­sos pa­ra Is­ra­el na dé­ca­da de 90, com eles veio um bra­ço da cha­ma­da má­fia rus­sa, com co­ne­xões em to­da Eu­ro­pa Ori­en­tal, nos EUA e na Amé­ri­ca La­ti­na. Os rus­sos se de­di­cam mais à ex­plo­ra­ção da pros­ti­tu­i­ção e ao trá­fi­co de mu­lhe­res que vêm da Rús­sia atra­vés do Egi­to. Os is­ra­e­len­ses cu­i­dam mes­mo é do jo­go e do trá­fi­co de dro­gas. Nos úl­ti­mos cin­co anos mais de 3 mil ca­sas de jo­gos e mais de 2 mil bor­dé­is clan­des­ti­nos fo­ram fe­cha­dos no pa­ís, mas se­gun­do a pró­pria po­lí­cia é uma go­ta no oce­a­no di­an­te das inú­me­ras ati­vi­da­des ile­gais que exis­tem por aqui. Se­gun­do es­ta­tís­ti­cas do go­ver­no só nos úl­ti­mos dois anos mais de US$?3 bi­lhões fo­ram la­va­dos na eco­no­mia is­ra­e­len­se.

O ata­que que ma­tou o che­fão da má­fia es­ta se­ma­na pro­vo­cou uma sé­rie de crí­ti­cas ao tra­ba­lho da po­lí­cia pa­ra con­ter a guer­ra en­tre gan­gues e fa­mí­lias cri­mi­no­sas. A ex­pli­ca­ção da inér­cia, se­gun­do mui­tos ana­lis­tas, é con­se­qüên­cia prin­ci­pal­men­te do con­fli­to com os pa­les­ti­nos. Co­mo se­gu­ran­ça é o as­sun­to prin­ci­pal do pa­ís a po­lí­cia es­tá na mai­o­ria das ve­zes en­vol­vi­da com as­sun­tos do es­ta­blishment.

As in­ti­fa­das (re­vol­ta pa­les­ti­na) deixam o país em estado de guer­ra per­ma­nen­te, o que per­mi­tiu que a má­fia cres­ces­se. A mai­or par­te dos re­cur­sos e dos es­for­ços da po­lí­cia foi di­re­cio­na­da pa­ra o com­ba­te ao ter­ror pa­les­ti­no, dan­do mar­gem pa­ra que os ma­fio­sos es­pa­lhas­sem seus ten­tá­cu­los no sub­mun­do is­ra­e­len­se. O cri­me to­mou tal pro­por­ção por­que sim­ples­men­te nin­guém es­ta­va pres­tan­do aten­ção. A po­lí­cia pro­me­teu mu­dar a es­tra­té­gia. A so­ci­e­da­de is­ra­e­len­se aguar­da an­sio­sa e afli­ta o re­sul­ta­do des­sa su­pos­ta vi­ra­da de jo­go.

Fonte: Herbert Moraes Jr. Jornal Opção.

Uma resposta para “A má­fia na Ter­ra San­ta”

  1. Persia Kalderon disse

    A sua noticía me chamou a atenção,pois estamos procurando um mafioso israelense mundialmente conhecido,Aaron Roni Kalderon,quase que uma celebridade em Telaviv pois,foi muito amado em Israel no início dos anos 70 como um craque no futebol do Orinte Medio e posteriormente,jogou no Ajax da Holanda,mas infelizmente inclinou-se para este tipo de pratica.Nos anos 80 envolveu-se com a sua organização no Brasil especificamente em São Paulo onde criou-se imenso alvoroço na midia,pois a sua organização “Israelense”uniu-se há uma organização Boliviana,sendo apreendido meia tonelada de cocaina entre refinada e em pasta.O que declaro nesta é de conhecimento da Justiça Federal Brasileira que foi a quem o julgou na 15° vara criminal da cidade de São Paulo.
    Através de todo este histórico que te envio será de grande ultilidade para uma pesquisa jornalistica sendo que,voce está privegiliadamente em Israel e poderá apurar melhor os fatos desta lenda viva.Voce deve estar se perguntando pq estou lhe enviando estas informações?…pois eu lhe responderei meu caro, repórter….tenho grande interesse e disponibilidade para que possamos talvez futuramente escrevermos um grande documentário sobre esta personalidade tão multipla como é a de Roni Kalderon
    Pois posso falar com muita autoridade pois sou judicialmente casada com ele,meu nome é Jussara Pérsia Kalderon.1Brasileira”
    Caso haja algum interesse envie-me,sua resposta.
    Pérsia Kalderon.

    Obs:Para vc iniciar autênticidade no que narrei ref ao ocorrido no Brasil,a Rede Globo de Televisão teve como pauta no retrospectiva 85/86 não me recordo ao certo,divulgando o assunto.

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