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Espanhola é presa suspeita de enganar imigrantes brasileiros

Posted by Daniela Alves em janeiro 22, 2008


da BBC Brasil

Uma espanhola foi presa domingo (19) acusada de enganar 90 imigrantes brasileiros em Madri. Ela dizia que era detetive especializada em imigração e prometia documentos em troca de dinheiro. Em um ano, ela arrecadou mais de R$ 900 mil.

O nome da falsa policial não foi divulgado pela Brigada Central contra Redes de Imigração. Ela agia com um falso crachá do Ministério do Interior e oferecia documentação por valores que variavam entre R$ 7.800 e R$ 9.100 mil cada um. O contato com os imigrantes era feito por meio do boca-a-boca, a partir de bares e do município de Torrejón de Ardoz.

O acordo era pagar adiantado para conseguir licenças de trabalho e residência, carteiras de identidade espanholas e até passaportes.

De acordo com as investigações, a falsa detetive dava um prazo de 15 a 20 dias para entregar os documentos (que nunca chegavam) e, quando os brasileiros reclamavam, a resposta era que a burocracia complicava a situação e que ela dependia de outros contatos dentro dos ministérios. Quando havia queixas demais, ela ameaçava denunciar os ilegais.

“Pelo que nos comentaram os imigrantes, ela falava de forma muito confiante, dizendo que era agente da autoridade. Ela se aproveitava de que as vítimas tinham medo, desconheciam os trâmites legais e acabavam satisfeitas com qualquer explicação”, disse o porta-voz da polícia de Madri.

As investigações começaram no último mês de maio, quando surgiram as primeiras denúncias em Torrejón de Ardoz. Segundo a polícia, a demora em prender a acusada e fechar a operação aconteceu porque os brasileiros tinham medo de ir às delegacias para prestar depoimento, já que todos vivem de forma ilegal no país.

Na casa da falsa detetive foram apreendidos recibos bancários de pagamentos, cadernos com anotações, fotografias de vítimas e cópias de passaportes brasileiros.

Segundo a Brigada Central contra Redes de Imigração, os brasileiros que fizeram a denúncia não serão indiciados por crime de associação ilícita porque foram enganados, mas voltarão ao Brasil para pedir nos consulados suas respectivas licenças de trabalho e residência.

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