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Escravidão na América (tráfico na Bolívia, Paraguai e Argentina)

Posted by Daniela Alves em abril 4, 2008


Nelson Vilca

Na cidade de Córdoba, encontra-se o centro de residentes Bolivianos onde habitualmente se denuncia abusos dos direitos dos residentes Bolivianos na Argentina, onde somos testemunhas também do tráfico de bolivianos para trabalhos forçados, insalubres e logo que remunerados, trabalho escravo. Muitas vezes explorados tanto por bolivianos como por argentinos, mas por assim dizer pouco as organizações como o ministério do trabalho, a fiscalização e a polícia não desenvolvem o trabalho que deveriam fazer por ofício e as vítimas não denunciam os fatos muitas vezes por ameaças, e o consulado da Bolívia ao invés de reverter esta realidade só se ocupa de desviar dos jornalistas quando a notícia é capa dos diários e não há campanhas de informação e denúncia destes feitos à toda comunidade.

Mas isto não é o único nessa província, também houve casos no povo originário Qom (toba) oriundos do Chaco, província do norte argentino, que também correram com a mesma sorte e onde os resultados só foi uma denúncia no qual a causa dorme em uma gaveta.

A prostituição infantil também está presente, em pequenas cidades no interior da província de Córdoba como Vila Maria, Río Cuarto Bell Ville. Mas toda esta informação só serve para a capa dos diários de um dia e do debate da rádio e televisão de dois ou três dias.

Além disso, costumam bater no peito as autoridades e os discursos que dizem “estamos fazendo tudo o que esta a nosso alcance para isto não volte a acontecer” e depois destas palavras, o jornalista que diz “por favor doutor uma foto para o diário” e o sorriso correspondente certamente, mas enfim.

Para poder seguir analisando a situação, devemos seguir o fio condutor a estes fatos e averiguamos as origens destes casos e sua procedência. Viajamos ao Chaco e Formosa onde há casos de seqüestro de crianças e captação de mulheres para a prostituição, mas paramos também em Santiago del Estero lugar propício para captar às crianças de famílias pobres, e os mecanismos são os mesmos nas diferentes províncias. Regularmente são casais que vão a uma comunidade pobre de Santiago com a desculpa de fazer turismo ou de fazer obras benéficas, levam alimentos e ao ver que têm vários filhos lhes perguntam se não querem que eles tenham uma melhor vida. Então o suposto casal promete que lhe dará um melhor bem-estar e levando-o à grande cidade onde poderá estudar e trabalhar na casa deste casal feliz. Uma vez que se vão do povoado estas pessoas não voltam mais.

As crianças e meninas são levadas para exercer a prostituição ou são vendidas para trabalho escravo, este casal antes de retirar-se do povoado lhe dá regularmente 100 ou 50 pesos para que alimente aos outros filhos, isto faz com que o custo da obtenção deste menino seja de 50 ou 100 pesos somando também o custo do combustível para chegar nesse povoado, ou seja custo total do menino 150 pesos argentinos. Depois este menino é agenciado por um proxeneta em Buenos Aires ou outra cidade, se é vendido pode custar entre 300 ou 500 pesos a venda e se o vende várias vezes já que o menino ou menina não fica em um só lugar mas é transportado constantemente.

Outro dado é que muitas vezes a polícia ou integrantes da justiça são cúmplices deste trafico, já que a informação de uma possível investigação sempre é infiltrada, e não chega ser efetiva já que são delatados, os pesquisadores, pelos seus mesmos companheiros que cobram pelo serviço de ser participe do tráfico de pessoas.

Como dizíamos anteriormente viajamos aos lugares de onde são procedentes as vítimas, para advertir-lhes destes feitos e para investigar quais são os mecanismos para poder reverter esta realidade.

Na província do Chaco, na Argentina, pudemos ver que os mecanismos de captação podem ser iguais que os de Santiago del Estero mas o ambiente é mais duro já que as crianças estavam morrendo por desnutrição ou por contaminação das águas, e por não ter acessos a um sistema de saúde preventivo e efetivo.

Pouco trabalho e pouca educação para ter costumes de sanidade, era a realidade das comunidades. E ao não ter capacitação prejudica os jovens a ter trabalhos bem remunerados e isto se soma ao fato de terem muitos filhos e os pais costumam ser adolescentes.

Uma forma de pagamento é que trabalham o dia todo e lhes pagam com um pacote de açúcar, erva e arroz, por exemplo, que não chega a sustentar toda a família, os trabalhos de artesanatos dos povos originários são de grande qualidade mas os compradores não querem pagar-lhes mas que dois pesos por peça, dinheiro que dá para comprar só um pacote de arroz, e depois essa peça de artesanato se revende na cidade 5 ou 6 vezes o seu preço.

Isto nos explica o fato dos jovens aceitarem trabalhar em outras províncias por míseras moedas ou ofereçam seus filhos para que os levem a um melhor porvir.

No Paraguai o sistema é o mesmo mas, para acrescentar mais dados é bom recalcar que a situação do Paraguai com o alto nível de corrupção em grande parte das instituições oficiais e a falta de trabalho faz com que o nível de mulheres e meninas que se prostituem seja alto e que a forma que cheguam a isto é muitas vezes forçada.

O sistema para captá-las é só esperá-las no Terminal de ônibus já que a situação econômica das mulheres fazem com que viajem à capital do Paraguai (Assunção).

Ao chegar são facilmente reconhecidas pelo proxeneta, ou o aliciador, como queiram chamá-lo, posto são os mesmos vendedores, guardas ou policiais que estão o dia todo no Terminal, e ao vê-las sós, e ao dar-se conta que não sabem falar o castelhano, já que vêm do interior e o Paraguai é um país em que se fala o guarani como outras dialetos. O dado comum é que muitas vezes não sabem ler nem escrever, salvo seu nome para assinar. E isto as tornam mais vulneráveis.

E são estas meninas e mulheres as que são enviadas à Argentina para trabalhar nos prostíbulos.

Na Bolívia as promessas de um melhor trabalho e de maior remuneração faz com que muitos bolivianos viajem à Argentina para trabalhar nos campos de cultivos de verdura e nas cidades nas oficinas têxteis em sua maioria, onde são recebidos no seu país de origem por um alguém do povoado onde vivem ou um parente.

O trato é que prometem trabalho mas para ter uma garantia lhes pedem os documentos, e dinheiro pelo favor de outorgar-lhe “um trabalho dígno e bem remunerado”, e para cobrir as despesas da passagem e as permissões para trabalhar, enfim, todo o discurso para tirar mais dinheiro já que também os vestiriam, e lhes dariam de comer e um lugar para viver. Tudo isso custa e o pagamento para tudo isso é só tua liberdade. Mas isso não falam até que chegue ao acampamento de escravos na Argentina.

Em outras províncias bolivianas também há escravidão e onde há mais casos são nas terras baixas, zona de Santa Cruz de la Sierra, onde as estâncias dos pecuaristas são os protagonistas determinantes na escravidão, onde os peões são os guaranis que trabalham pela comida, roupa, e moradia. Tudo isto se desenvolve na zona chamada Chaco.

O povo chiquitano também sofreu os mesmos problemas do povo guarani, e é na amazônia onde outros povos sofrem escravidão, mas por dívidas inventadas, infladas condicionadas e eternas. E nas cidades da Bolívia se registram violações e seqüestros de crianças constantemente onde em sua maioria não são denunciados já que não há trabalho de pesquisa e a maioria das vezes que são detidos os delinqüentes são libertados , já que um advogado que intervêm chega sempre a uma acordo, já que ameaçam as vítimas ou são “remunerados”, coagidos pelo advogado do acusado e para prosseguir a causa e todo o trâmite para absolver e libertar o culpado, deve ser seguido e aprovado por procuradores e juízes que também entram na repartida do dinheiro.

Na Bolívia, onde os portais de Internet mostram crianças bolivianas tendo relações com adultos, onde se vendem esses vídeos na rua pública e onde pela Internet ou nos prostíbulos se oferta a virgindade de uma menina a 25 dólares. É nesse lugar, nesse país onde nada se está fazendo pontualmente para reverter essa realidade, também é o mesmo país que exporta escravos para a Argentina. E o mais lamentável, é que todas as vítimas que mencionamos são de camadas sociais baixas e que em sua maioria são descendentes de povos indígenas da América.

Este sistema de captação das vítimas é similar em toda a América, é preciso somar a metodologia do pedido de modelos através da internet e diários, onde iludem jovens com a esperança de trabalhar no pais ou no exterior, para trabalhar na passarela ou na televisão como modelos.

E é muito importante mencionar o caos do povo de Juarez no México, mas por enquanto não temos dinheiro para viajar e investigar essa zona.

O PEDIDO URGENTE DEPOIS DE LER ESTE RELATÓRIO É QUE AS AUTORIDADES SE RESPONZABILIZEM E INFORMEM ESTA SITUAÇÃO E INSTRUAM OS MECANISMOS DE DEFEZA QUE TÊM AS VÍTIMAS PARA ESTA REALIDADE E TRABALHAR NAS ZONAS VERMELHAS DE CAPTAÇÃO DAS VÍTIMAS COM PESSOAL ESPECIALIZADO E SE PODE DE FORMA NÃO VISÍVEL. PARA EVITAR DELATAR O TRABALHO E QUE OS PROXENETAS SE OCULTEM E TRABALHEM DE MODO QUE SEJA IMPOSSÍVEL IDENTIFICÁ-LOS.

Tradução: Daniela Alves

Artigo original em espanhol: http://www.rojoynegro.info/2004/spip.php?article21763

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5 Respostas to “Escravidão na América (tráfico na Bolívia, Paraguai e Argentina)”

  1. JENNICER HAYWORTH said

    OI, preciso de dados estatísticos com relação ao tráfico de mulheres da bolivia e paraguai ao Brasil…agredeceria a ajuda..
    muito obrigada

  2. Texto muito bom !!!!!!!!!
    parabéns para você que escreve esse texto!!!!!!!!!!!!

  3. Karoline said

    precisa especifikar melhor pois naum da para indentificar o pais.

  4. Prezada Daniela
    Encontrei este blog fazendo pesquisa
    para o GPTEC e tentei copiar este artigo sobre o tráfico e a exploração
    de paraguaios e bolivianos como escravos na Argentina. Não consegui mas gostaria de ter uma cópia para arquivar e servir de base para os nossos estudos. Visite também nosso site.

  5. ramana said

    esse texto e´uma maravilha!!! adorei mais escravisao nao é uma coisa muito boa para falar,porque escravidao é uma coisa ruim mais esta muito bom que fassa o maior susseso Parabens para quem escreveu Dou a maior forsa PARABENS

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