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Quem tem medo da Inteligência?

Posted by Daniela Alves em setembro 8, 2008


Nas nações democráticas, organizações de Inteligência de Estado são um dos pilares para a afirmação e consolidação do status de país livre e emancipado, ao propiciar a coleta e análise de informações estratégicas destinadas a subsidiar o processo decisório de seus altos mandatários, assim como rastrear e deter as incursões de espionagem hostis aos interesses nacionais. Infelizmente, é menos por estas características formais e suas potencialidades e mais pela profusão de imagens e representações distorcidas que a população em geral concebe as atividades de Inteligência. Isso se dá particularmente pela massiva descarga de produções cinematográficas hollywoodianas nas salas de exibição de todo o mundo, nas quais, grosso modo, as Organizações de Inteligência são ora o aparato de sustentação para as ações heróicas de um agente bonito, ágil e brilhante que, sozinho, consegue desbaratar as conspirações mais maléficas de organizações internacionais, ora uma sombria e fria instituição que, intrusivamente, constrange a liberdade individual. Nos dois casos está permeado o mesmo fulcro ideológico – a do voluntarismo individualista que luta contra coletivos opressivos e assustadores -, sendo muito raras as vezes em que as Organizações democráticas de Inteligência de Estado são representadas conforme aquilo a que se propõem ser: instituições compostas não por super-homens, mas por funcionários de proporções extremamente humanas que buscam em sua ação concertada a defesa da população.

No caso do Brasil a antipatia à atividade de Inteligência conta com outro fator, este relevante e fundamentado: o passado funesto da mesma em nosso período ditatorial. O Serviço Nacional de Informações (SNI), como era chamado, atuou efetivamente no sentido de conter as liberdades civis e políticas dos cidadãos, recorrendo para tanto a expedientes execráveis em contextos civilizados, entre os quais o mais conhecido foi, a pretexto de extração de informações sobre conspirações contra o Brasil, a tortura. Ao fim deste período, um vácuo institucional se impôs, dada a inadequação da SNI e seus instrumentos para os tempos democráticos, de forma que a mesma foi extinta, cedendo lugar a uma estrutura de pouca operacionalidade institucional. Destaca-se nesta etapa o famoso “caso Raytheon”, em que esta empresa norte-americana foi a vencedora de processo licitatório bilionário para a aquisição de equipamentos de alta tecnologia necessários à implantação do Sistema de Vigilância da Amazônia (SIVAM). Não se tratou de processo que primou pela correção, sendo que a Raytheon contou ostensivamente com o amparo do aparato de Inteligência de Estado de seu país para explorar todas as rugosidades do processo (tais como falta de transparência e corrupção de agentes do Estado brasileiro) para, ao final, ser a vencedora. A ausência de uma Organização de Inteligência consolidada e ativa no Brasil sem dúvida tornou esta incursão estrangeira possível, e os meandros dos fatos só puderam ser revelados na medida em que, pelas contingências legais norte-americanas, os autos que os relatavam foram desclassificados e tornados acessíveis ao público vários anos depois. 

Foi assim que, ao final da década de 1990 o governo federal criou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), normativamente fundamentada para aparelhar o Estado democrático de soluções estratégicas no âmbito de coleta, análise e proteção de informações sensíveis. Todavia, a herança ainda importante da débil orientação técnica e forte enviesamento ideológico do SNI, assim como os baixos salários e péssimas condições de trabalho àqueles que nela ingressavam por meio de concursos públicos, tornaram a sua funcionalidade limitada. Apenas ao final do ano de 2007, quando foi nomeado como seu diretor-geral o delegado da Polícia Federal Paulo Lacerda (conhecido por, no período em que dirigiu o seu órgão de origem, intensificar as operações policiais e pelos expressivos resultados das mesmas no combate a práticas do Crime Organizado), a Abin passou por sucessivas mudanças destinadas a consolidar a sua vocação institucional a serviço da democracia. Em uma organização que preza a discrição e o silêncio, uma das mais ruidosas mudanças foi a criação do cargo de Oficial de Inteligência, com expressivo soldo, para o qual foram remanejados os funcionários que ingressaram na instituição por meio de concurso público (porém não aqueles indicados no período da SNI ainda em atividade). Mais foi apenas nos últimos dias que a Abin foi projetada às manchetes dos principais jornais brasileiros em decorrência de acusação de que teria procedido a interceptação telefônica do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes. A prática de interceptação telefônica é legalmente vedada à Abin (ao contrário da maioria de suas homólogas em outros países), sendo no Brasil um recurso acessível à Polícia Federal contanto que seja obtida autorização do poder judiciário. Foi com este expediente que a Polícia Federal conseguiu coletar importantes provas contra o que talvez seja o mais expressivo nome do Crime Organizado brasileiro, Daniel Dantas, na chamada “Operação Satiagraha”.

Para fins de síntese e pelo fato de os meandros inerentes a este caso terem sido abundantemente divulgados não nos debruçaremos sobre o caso. Cabe apenas lembrar que, tendo a Polícia Federal procedido ao encarceramento preventivo de Dantas e seus cúmplices, Mendes procedeu com celeridade inabitual à concessão de habeas corpus à maioria deles. A partir de então se inicia o inferno astral de Protógenes Queiroz, delegado que coordenava a “Operação Satiagraha” (forçado a abandonar o caso), e também o de Lacerda, na medida em que a mídia trouxe à tona suspeitas de contribuições da Abin na investigação do caso, chegando-se ao seu ápice agora, em que uma gravação contendo uma conversa telefônica do senador oposicionista Demóstenes Torres e Mendes foi entregue à revista Veja por um funcionário da Abin. Acrescentando-se esta prova da existência de interceptações telefônicas ilegais à acusação de que não se tratou de um fato pontual, e sim apenas um dos muitos registros realizados que tiveram por escopo outros integrantes dos poderes judiciário e legislativo e também do poder executivo, chegou-se a um quadro de exaltação de forte perigo para o ambiente investigativo brasileiro que pouco contribui para o adequado encaminhamento do assunto. Representantes da oposição ao governo no Congresso já proferem discursos alarmados, exigindo ora a demissão da cúpula da Abin, sob ameaça de início de processo de impeachment, ora protocolando uma redução ainda maior do instrumental de atuação do órgão, ao propor impeditivos para que o mesmo acesse dados classificados das forças armadas, da receita federal e quaisquer outros órgãos detentores e/ou produtores de informações estratégicas. Este último fato é definitivamente preocupante, pois tal prerrogativa é o produto do processo ainda em curso de consolidação do chamado Sistema Brasileiro de Inteligência (Sisbin), o qual busca integrar os diferentes órgãos do poder público que atuam com a coleta e análise de informações estratégicas, e do qual a Abin é legalmente o órgão central. Somadas esta amputação de sua capacidade de interlocução institucional às limitações investigativas que já lhe são inerentes, a Abin corre o risco de ser tornar uma Organização de Inteligência de Estado inócua, com escopo mas sem os meios de atingi-lo. Trabalha-se com o medo por meio da caricaturização da Abin como ente intrusivo e bisbilhoteiro. Quem tem a ganhar com isso? Quem tem medo da Inteligência?

Desde o início da Operação Satiagraha já se escuta ruídos contrários ao encaminhamento de processos investigativos. Na mídia foi surpreendentemente ampla divulgação do debate sobre a adequação ou não do emprego de algemas pela Polícia Federal na detenção de suspeitos se comparado à análise dos pormenores do enorme esquema de corrupção presidido por Daniel Dantas. Não se trata aqui de escamotear debates pontuais sobre procedimentos, os quais são pertinentes, mas de não permitir que a existência necessária dos mesmos desvie o foco do objetivo da investigação. No caso da Abin o debate sobre procedimentos assume uma pertinência ainda maior, visto que se tratou de subterfúgio ilegal e que, acrescido do fato de ter sido utilizado sem o conhecimento do diretor-geral do órgão, deve resultar em punições enérgicas contra os funcionários responsáveis (mas conduzidas em inquéritos inseridos nos mais estritos marcos legais administrativos). Mas o debate não se pauta nestes detalhes, apenas em uma sanha por castigar cegamente que faria Torquemada corar. A atenção ao histórico da Abin, aos difíceis entraves que a atual gestão vem se esforçando para derrubar são pouco considerados. Caso um alto mandatário de um dos poderes públicos de fato esteja sob suspeita de envolvimento com um dos maiores criminosos do país, a investigação se mostra mais peremptória que no caso do suspeito ser um cidadão comum, recorrendo-se para tanto a todo instrumento que potencialize a melhor averiguação de sua inocência ou culpa. O debate no entanto segue, sorrateiramente, lógica inversa: porque o suspeito é ocupante de alto posto de Estado, o mesmo não pode ser investigado. Naturalmente o enfoque nos procedimentos é relevante, devendo ser pautado na melhor condução da investigação para a preservação da intimidade. No caso da interceptação telefônica, trata-se de recurso que, utilizado com cautela, pode de fato propiciar ganhos investigativos excepcionais. Neste caso, por que não, ao invés de manter a proibição, não permitir o procedimento sob um marco legal ostensivo de encaminhamentos e controle? Tal marco poderia impor já na etapa da coleta a tarefa de filtrar quaisquer trechos que não indiquem envolvimento com o assunto investigado. Os circuitos de divulgação das informações já filtradas poderiam ser delimitados com precisão, facilitando o controle e supervisão do seu fluxo, e o vazamento das mesmas punidas como crimes de Estado. São estes apenas alguns exemplos propositivos que poderiam ser elencados, entre muitos outros, caso se instaurasse um debate sério e técnico sobre o assunto.

Os fatos demonstram que a Abin, enquanto Organização de Inteligência de Estado, ainda tem um longo caminho na continuidade de seu aperfeiçoamento técnico e administrativo como instituição de defesa do Estado democrático. Por outro lado, o medo ostentado e difundido por representantes do poder público e da sociedade civil organizada (neste último caso, especialmente a OAB) à investigação de fatos que indiquem condutas criminosas é especialmente preocupante, pois supõe uma classe de intocáveis. A legislação já prevê foro privilegiado em processos judiciais para políticos de alto nível. Seria razoável estender este expediente para os procedimentos investigativos?

Illimani de Moura é sociólogo e servidor público federal.

Fonte: http://www.correiodobrasil.com.br/noticia.asp?c=143039

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4 Respostas to “Quem tem medo da Inteligência?”

  1. Carlos Mauser said

    ABIN ACOBERTA CRIMINOSOS, ESPIONA MOVIMENTOS SOCIAIS E TEM CHEFE REGIONAL DENUNCIADO COM 3 AÇÕES PENAIS. LEIA ABAIXO:

    Começam a aparecer os casos de banditismo na ABIN. A íntegra está no site http://www.diariodopara.com.br, de 24/8/2008, pg. A-3:

    (…) A Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) vive um período conturbado na regional Norte. Denúncias de esquemas de fraudes sendo investigadas e velhos esqueletos do armário da época da ditadura militar querendo ver a luz do sol. Entre os problemas, a denúncia de que no escritório da agência em Belém funcionários falsificavam e vendiam documentos falsos como certidões de tempo de serviço para serem apresentadas nos institutos federal, estadual e municipal de seguridade social, como INSS, Ipasep e Ipamb, com a intenção de facilitar deferimentos de processos de aposentadoria. A denúncia foi feita em 2003 ao Ministério Público Federal. O esquema veio à tona depois que a senhora Raimunda de Jesus dos Santos foi até a sede da ABIN, em fevereiro de 2002, reclamar que a certidão de tempo de serviço, que teria sido elaborada pelo servidor José Alexandre Lima Sanches, não fora aceita pelo INSS, no processo de aposentadoria do marido dela, João Barbosa dos Santos. Segundo a denúncia, Raimunda de Jesus informou que José Alexandre Lima Sanches atuava em conjunto com alguém chamado Raimundo de Oliveira de Araújo Filho, que se identificava como oficial de justiça. As certidões públicas seriam falsificadas com a utilização dos equipamentos e recursos técnicos da ABIN e vendidas pelo valor médio de apenas R$ 150,00. José Alexandre daria os telefones e o endereço da Abin, na rua Gaspar Vianna, no prédio onde funciona o Ministério da Fazenda, para a entrega dos supostos documentos falsificados aos interessados e recebimento dos pagamentos pelo serviço. No mesmo mês em que as denúncias começaram a vazar, José Alexandre, filho de um ex-funcionário da Abin, foi devolvido ao seu órgão de origem, a Polícia Militar do Pará, onde passou a atuar na Seção de Inteligência da PM, sem que o comando da Polícia Militar tivesse sido informado dos motivos do remanejamento de Sanches. À época, o chefe da Abin no Pará, Gladston Gonçalves Vilela de Andrade, declarou que as supostas irregularidades praticadas por Alexandre Sanches eram “infundadas, inverídicas e improcedentes”. A denúncia, no entanto, não teria sido investigada. José Alexandre Sanches deixou o cargo na Abin com menção honrosa da entidade pelos “relevantes serviços prestados” ao órgão. (…) Em seu relato, o policial militar disse que acreditava que “fosse idôneo” o trabalho de Araújo, que costumava usar uma falsa identificação de oficial de justiça. Embora a ABIN tenha arquivado as denúncias, a assessoria do Ministério Público Federal informou que todas as denúncias estão sendo analisadas.
    ABIN e ossadas de guerrilheiros do Araguaia. Leia a reportagem abaixo (a íntegra está no site http://www.diariodopara.com.br, edições de 24, 26 e 27/8/2008).
    VEREADOR APRESENTA DENÚNCIA SOBRE OSSADAS
    O vereador Paulo Fonteles (PT-PA) levou ao conhecimento dos vereadores da Câmara Municipal de Belém (CMB), na sessão de ontem, as denúncias sobre a possível existência de ossadas de três guerrilheiros do Araguaia descobertas em uma cisterna durante as escavações nas obras de implantação do Projeto Feliz Lusitânia, conforme matéria publicada pelo DIÁRIO DO PARÁ na edição de domingo (24/8/2008).
    Fonteles fez questão de destacar a iniciativa do DIÁRIO, “por ter trazido à tona, em sua edição de domingo, matéria sobre a Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) e a sua ação no Estado, assim como a questão das três ossadas encontradas nas obras do Feliz Lusitânia”. Segundo ele, a denúncia, “apresentada de forma corajosa”, reabre uma antiga suspeita. Fonteles declarou que, no primeiro semestre de 2003, ele chegou a denunciar na CMB que trabalhadores da empresa responsável pela execução das obras haviam encontrado as ossadas, que pertenceriam a guerrilheiros dados como desaparecidos. Porém, um homem que se identificou como funcionário da Secretaria Estadual de Cultura (Secult) teria retirado as ossadas do local. Naquele ano, o então secretário de Cultura, Paulo Chaves, foi procurado, “mas não recebeu a comissão da Câmara Municipal”.
    A denúncia, segundo o parlamentar, foi confirmada pelos operários e pelo Sindicato da Construção Civil à época, fatos que, somados às informações de um ex-capitão das Forças Armadas de que teria visto três presos em uma cela do QG do Exército no período da repressão à guerrilha, torna a história ainda mais real. “Nosso interesse é resgatar a história do Brasil e que a consciência do brasileiro não seja prejudicada por remanescentes da política de repressão”. Agente da repressão trabalharia na ABIN: De acordo com Paulo Fonteles, existem remanescentes da política de repressão brasileira atuando na ABIN. “Recebi uma denúncia de que existe um agente atuando na ABIN-Seção Pará, que trabalhou na repressão política e tem buscado abafar as questões relacionadas ao Araguaia”, informou. Esse agente teria trabalhado na Delegacia de Operações e Investigações (DOI) e no Comando de Operações de Defesa Interna (Codi) e sobre ele pesam casos de torturas, crimes e desaparecimentos.
    Fonteles observa que a história dos guerrilheiros desaparecidos vem à tona novamente porque o Brasil está sendo pressionado pela Organização das Nações Unidas a abrir os arquivos da época da ditadura militar, por ser signatário de vários acordos internacionais na área de direitos humanos. “Mas os arquivos ainda não foram abertos, diferentemente do que já acontece na Argentina, Chile e Uruguai, que já o fizeram”, disse Fonteles. A recente iniciativa do Ministério da Justiça em defender a abertura desses arquivos como um todo “é uma luta pelo direito à memória e à vida e precisa ser apoiada”, completou. Fonteles declarou que vai encaminhar as denúncias ao Ministério Público Federal e reafirmou a intenção de convocar o ex-secretário Paulo Chaves e a ABIN para darem explicações sobre o caso. (Diário do Pará, 26/8/2008).
    CHEFE REGIONAL DA ABIN ACUSADO DE PRATICAR VÁRIOS CRIMES
    A íntegra da notícia está no site http://www.correioweb.com.br, de 29/11/2004 ou http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=165125
    MPF INVESTIGA CHEFE REGIONAL DA ABIN
    O recém-nomeado chefe da agência regional da ABIN em Belém/PA, Antonio Cláudio Fernandes Farias, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Pará. A suspeita é a de envolvimento em irregularidades como servidor público. O agente, no entanto, diz ser inocente. Tom Farias — como o agente é conhecido no Pará — é funcionário da Presidência da República, tendo feito sua carreira no extinto Serviço Nacional de Informações (SNI). Em 1993, três anos após a extinção do SNI, ele foi cedido para o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), onde ocupou o cargo de diretor de pessoal por oito anos.
    Depois desse período, Tom Farias foi ‘‘devolvido’’ ao serviço secreto. Recentemente, acabou sendo escolhido pelo diretor-geral da Abin, Mauro Marcelo, como chefe da agência regional do serviço secreto em Belém. É a gestão de Tom Farias à frente da Direção de Pessoal no Cefet de Belém que está sendo alvo de investigação por parte do MPF. A apuração do caso começou em 2002, numa auditoria realizada pela Controladoria Geral da União (CGU).
    Na época, a CGU apontou dezenas de irregularidades na gestão do Cefet de Belém e recomendou a instauração de procedimentos administrativos contra os diretores, inclusive Tom Farias. Eram duas as principais suspeitas que pesavam sobre o servidor: adulteração de um documento e envolvimento no desvio de R$ 767 mil referentes a pagamento de estagiários. Duas semanas atrás, o procurador Ubiratan Cazetta, responsável pelo caso no MPF, resolveu apresentar uma ação de improbidade administrativa contra o chefe do escritório da ABIN em Belém e outras 14 pessoas supostamente envolvidas nos desvios ocorridos no Cefet.
    Começaram a aparecer os “alvos” das operações da ABIN. A íntegra está no site http://www.diariodopara.com.br, de 24/8/2008, pág. A-3:

    (…) a ABIN afirmou que não realiza atividades sem respaldo da lei. Se não foge aos limites da lei em relação a suas ações, a ABIN, no entanto, tem desempenhado funções estranhas no atual momento político brasileiro. Tem espionado ações de movimentos sociais, como o de estudantes da Universidade Federal do Pará e o MST, por exemplo. No dia 06 de abril de 2003, a Agência Pará da Abin encaminhou ao Gabinete de Segurança Institucional um relatório de missão que informava que a Pró-Reitoria da Universidade Federal do Pará promoveu a Semana do Calouro, cuja programação tivera início no dia 31 de março e se estendeu até 6 de abril. Pelo relatório, que foi acompanhado de duas fotografias da manifestação, dois panfletos e em informativo tablóide, os agentes da Abin seguiram a “Caminhada pela Paz e Contra a Fome”, a passeata coordenada pelos professores da instituição. Diz o relatório: “A passeata contou com a participação aproximada de 1.800 pessoas, a maioria estudantes universitários, professores, voluntários e apoio da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, CTBel, Cruz Vermelha, Grupo Yamada, Banco do Brasil, Banco Real, Caixa Econômica e TV Liberal. Foram identificados no meio da passeata integrantes do PSTU conduzindo uma grande faixa: “Viva a resistência do povo iraquiano”, com o apoio do deputado federal João Batista (Babá). Outro relatório de inteligência, datado de 19 de abril de 2004, é sobre uma manifestação alusiva ao Massacre de Eldorado dos Carajás, em Belém. O relato fala sobre as reivindicações do MST, sobre o lançamento do livro “A violência no campo”, editado pela Comissão da Pastoral da Terra (CPT) e termina com a agência Pará da Abin “ressaltando as técnicas de desinformação utilizadas pelas lideranças do MST, que dissimulou (sic) suas ações e investidas, dificultando assim sua movimentação (sic) pelos agentes do governo”.
    “Enquanto a ABIN monitora movimentos sociais com material que poderia ser recortado de jornal, a biopirataria corre solta na região”, diz um servidor da agência.

    CHEFE REGIONAL DA ABIN ACUSADO DE PRATICAR VÁRIOS CRIMES

    A íntegra da notícia está no site http://www.correioweb.com.br, de 29/11/2004 ou http://clipping.planejamento.gov.br/Noticias.asp?NOTCod=165125

    MPF INVESTIGA CHEFE REGIONAL DA ABIN

    O recém-nomeado chefe da agência regional da ABIN em Belém – PA, Antonio Cláudio Fernandes Farias, está sendo investigado pelo Ministério Público Federal (MPF) no Pará. A suspeita é a de envolvimento em irregularidades como servidor público. O agente, no entanto, diz ser inocente. Tom Farias — como o agente é conhecido no Pará — é funcionário da Presidência da República, tendo feito sua carreira no extinto Serviço Nacional de Informações (SNI). Em 1993, três anos após a extinção do SNI, ele foi cedido para o Centro Federal de Educação Tecnológica (CEFET), onde ocupou o cargo de diretor de pessoal por oito anos.
    Depois desse período, Tom Farias foi ‘‘devolvido’’ ao serviço secreto. Recentemente, acabou sendo escolhido pelo diretor-geral da Abin, Mauro Marcelo, como chefe da agência regional do serviço secreto em Belém. É a gestão de Tom Farias à frente da Direção de Pessoal no CEFET de Belém que está sendo alvo de investigação por parte do MPF. A apuração do caso começou em 2002, numa auditoria realizada pela Controladoria Geral da União (CGU).
    Na época, a CGU apontou dezenas de irregularidades na gestão do CEFET de Belém e recomendou a instauração de procedimentos administrativos contra os diretores, inclusive Tom Farias. Eram duas as principais suspeitas que pesavam sobre o servidor: adulteração de um documento e envolvimento no desvio de R$ 767 mil referentes a pagamento de estagiários. Duas semanas atrás, o procurador Ubiratan Cazetta, responsável pelo caso no MPF, resolveu apresentar uma ação de improbidade administrativa contra o chefe do escritório da ABIN em Belém e outras 14 pessoas supostamente envolvidas nos desvios ocorridos no CEFET.

    Atualização de 19/9/2008 – 18h25:

    O agente ANTONIO CLAUDIO FERNANDES FARIAS, CPF 132.204.202-06, tem contra si 3 ações penais (nr. 2005.39.00.010157-3, nr. 2005.39.00.010255-8 e nr. 2005.39.00.010256-1) e 2 ações civis (2004.39.00.010130-9 e 2005.39.00.004304-7) e ainda permanece no cargo de superintendente da ABIN no Pará apesar de já ter um pedido de habeas corpus no STF sob número 2007.0059198-6.

  2. Escuta said

    O monitoramento era impensável até a alguns meses no Brasil. Imagina você fazer um monitoramento de tudo que o seu marido falou durante o dia todo em que esteve fora? Imagina você poder ter o controle de que seus funcionários falam ao telefone de sua empresa em horário de expediente.
    Eles podem estar trapaceando? Imagina você saber o que seu filho converso no telefone e saber se ele está envolvido com más companhias?
    Sim, através desse monitoramento que é implantado no celular, tecnologia de ponta e licenciado e 100% original, não como esses que rodam o mercado ai com preços de banana que não funcionam!
    O monitoramento de celular se torna altamente eficaz em todas estas situações onde você precisa monitorar alguém que desconfia estar abusando da sua confiança.

  3. Dimas Alves de Souza said

    A Marinha do Brasil, possui um Serviço de Inteligência.
    O Exército, idem.
    a Aeronáutica, idem.
    A Presidência da República, idem.
    Temos, Polícias Militares ( RDE ( sic! ) com serviço inteligência
    Polícia Civil, idem
    Agora temos Guardas Municipais com poder de polícia.
    Policia Federal, com serviço de inteligência.
    O Brasil não pode reclamar por falta de segurança, pois com tanta
    polícia!!! não é?

    Mas… o cidadão brasileiro, tá penalizado: não tem resposta de
    nenhum órgão do governo; estão morrendo nas filas do SUS; médicos
    entram em greve; Rodovias federais por um Pequeno Acidente, fecham
    a rodovia e o tráfego fica lento.
    Agora temos também, Pedágios os mais pesados do Mundo, quem não acreditar viaje no Estado do Paraná, e verão o Escoar de seus Bolsos.
    Uma ação judicial, demora 50 anos… para Decisão Final.
    Então, quem vale mesmo para nossa Segurança? sabem quem?
    Os flanelinhas… que estão nas ruas cuidando de nossos carros,
    pague-os e terás segurança, se não, seu veiculo será roubado.

    Mas, ainda temos algo de bom…. a Polícia Militar do Paraná,
    ainda é uma das melhores corporações do Mundo, não só do Brasil.

    Então, precisamos organizar a sociedade familiar, fazer um Serviço
    de Inteligência Particular, para nossa Segurança.
    Pois, temos leis pra nós não termos nossas Armas, mas as regras
    não são as mesmas para os Bandidos.
    Nós cidadãos estamos nas mãos do Bandidos que estão Armados, e
    nós se tivermos uma Espingarda em casa ou em nosso sítio, somos
    presos!
    Eita! Brasil!
    Acorda povo…. vamos colocar deputados de Valor e não esses que
    estão aí… Prá fazerem Leis, leis de verdade e não essa colcha
    de retalhos que tá aí………

  4. Renato Chaves said

    Esse bandido travestido de espião é bem esperto. Senão, vejamos: o atual diretor do Centro Estratégico Integrado (CEI) da Secretaria de Estado de Segurança Pública do Pará, Antônio Cláudio Fernandes Farias, ex-diretor de Pessoal do Centro Federal de Educação Tecnológica do Pará (Cefet-PA) e agente da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), é acusado pelo Ministério Público Federal do Pará (MPF/PA) de ter praticado estelionato (art. 171 do Código Penal) e peculato, juntamente com os demais diretores daquele Centro, inclusive o diretor geral, Sérgio Cabeça Braz, já condenado à prisão pela Justiça Federal. As três ações penais propostas pelo MPF/PA, a partir de recomendações de relatórios de auditoria da Controladoria Geral da União (CGU), tramitam na Justiça Federal com os números 2005.39.00.010157-3, 2005.39.00.010255-8 e 2005.39.00.010256-1. Há também duas ações civis públicas apresentadas pelo MPF contra o atual diretor do CEI, de números 2004.39.00.010130-9 e 2005.39.00.004304-7, que avançam na Justiça Federal do Pará. O escândalo de corrupção no Cefet/PA veio à tona em 2002, com indícios de desvios de mais de R$ 11 milhões de reais ao longo de uma década pelos ex-diretores. Dúvidas sobre esse bandido espia? Consulte o Google e o nome completo dele na Justiça Federal.

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