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Máfias internacionais são cada vez mais poderosas

Posted by Daniela Alves em outubro 16, 2008


Camorra ou tríades; russas, nigerianas ou turcas: interconectadas e coordenadas, máfias se expandem sem dificuldade pelo mundo. Do contrabando humano a drogas, petróleo ou marcas. ONU quer combater a situação à altura.

 

É preciso ser idealista para fazer esse trabalho, Walter Kemp não nega. “Mas, então, qual é a alternativa?”, pergunta o porta-voz do departamento das Nações Unidas contra Drogas e Criminalidade. “Não há! Temos que dar combate ao crime organizado global. Mesmo que pareça impossível vencer essa luta.”

Até a sexta-feira (17/10), representantes de 147 países-membros da ONU estão reunidos em Viena para declarar guerra à máfia. E o aspecto mais importante que ocupa os mais de mil diplomatas participantes são as estratégias de cooperação internacional.

Quanto mais pobre o país, mais vulnerável

Pois o inimigo está perfeitamente interconectado. Hoje em dia, “máfia” significa uma densa rede mundial de comércio, contrabando e corrupção. A ONU calcula que entre 2% e 3% do rendimento econômico do mundo provenha de negócios criminosos, o equivalente a 1,3 trilhão de dólares.

Contrabandistas africanos trabalham em conjunto com narcotraficantes sul-americanos, delinqüentes albaneses trocam armas por heroína no Oriente Médio. Quanto mais liberal o comércio, quanto mais abertos os mercados financeiros, mais fácil é sua atuação. Contrabando de armas, cigarros, pessoas e – acima de tudo – drogas determinam o mosaico criminoso.

O semanário alemão Die Zeit calcula que o mercado global do narcotráfico movimenta 390 bilhões de dólares: 16 vezes mais que o de tabaco, 65 vezes mais que o de café. Os cartéis mafiosos competem pelos melhores corredores de transporte para os Estados Unidos. No México, clássico país de passagem, grassa a guerra entre as quadrilhas, com 3 mil vítimas fatais somente em 2008. “Quanto mais pobre o país, mais vulnerável às estruturas mafiosas e à criminalidade organizada”, explica Kemp.

Sexo, árvores, caviar, marcas

A máfia mundial do caviar contrabandeia ovos de peixes. A da madeira derruba árvores em grande escala na Indonésia e entra despercebida na Europa com a madeira nobre. No delta do Níger, todos os dias milhares de barris de petróleo são roubados, carregados em grandes navios e distribuídos pelo mundo inteiro. As autoridades locais fazem vista grossa, sendo bem recompensadas para tal.

Segundo a Organização de Migração Internacional, entre 600 mil e 800 mil pessoas são vítimas do tráfico humano a cada ano. Muitas acabam no mercado do sexo de países como a Alemanha, onde o Departamento Federal de Investigações (BKA) detecta um número crescente de crianças.

Também na Itália, pátria simbólica da atividade mafiosa, desenvolveram-se cooperações internacionais. A Ndrangheta da Calábria colabora estreitamente com “amigos” da Albânia, do Leste Europeu, da Turquia e da América do Sul; a sua adversária Camorra (da Campânia, região de Nápoles) mantém bons contatos com a China e a Nigéria.

Campos tradicionais de atividade como a prostituição ficam agora a cargo dos nigerianos, enquanto a Camorra se dedica à pirataria de marcas. Produtos de luxo falsificados são atualmente o ramo mais promissor dos negócios escusos: a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) calcula seus lucros totais em mais de 200 bilhões de euros, comparáveis aos do narcotráfico.

Especialização geográfica e criminosa

“A máfia cria uma cultura do medo”, afirma o criminologista Hans-Jürgen Kerner, da Universidade de Tübingen. Ele considera que a significativa expansão da criminalidade transnacional tem sido subestimada. E a Europa, em especial a Alemanha, representa um papel decisivo. “Aqui não é apenas ‘local de repouso’ para a máfia. Ela se familiariza com o mercado alemão e vai se adaptando a ele.”

Rainer Wendt, presidente do Sindicato da Polícia Alemã, vai mais longe. “Temos um problema grave com o crime organizado na Alemanha”, declarou em entrevista à DW-WORLD.DE. Porém os políticos negligenciam o potencial explosivo do assunto. “A política só vai reagir quando houver novamente mortos na rua. Mas o trabalho da máfia se desenrola no escuro. E é preciso fazer algo contra isso.”

Segundo o BKA, somente no ano passado, os ganhos do crime organizado na Alemanha chegaram a 481 milhões de euros. E o órgão avisa: a máfia penetra cada vez mais em ramos legais de comércio, por exemplo, investindo lucros ilegais em remessas normais, a fim de transportar drogas.

Táticas criativas

Ao que tudo indica, os diferentes braços do crime repartem o país entre si. Enquanto a máfia italiana se ocupa de chantagem (a chamada “proteção”) e lavagem de dinheiro sobretudo na região do Vale do Rio Ruhr, os russos dominam a Baixa Saxônia e o Leste Alemão com contrabando e comércio humano, exemplifica Wendt.

Lado a lado com as máfias do Leste Europeu e turca, há muito as tríades da Ásia conquistaram o mercado alemão. Consta que esta organização extremamente brutal possui centenas de milhares de membros na Europa e embolsa lucros bilionários a cada ano.

“Ninguém tem coragem de ir à polícia”, comenta o criminologista Kerner. Embora a maior parte dos proprietários de restaurantes chineses da Alemanha tenha que pagar “proteção”. Muitas vezes, simplesmente são obrigados a comprar todos os meses novos peixes ornamentais para o aquário do estabelecimento. “E um peixe dourado normal já custa por volta de mil euros.”

Por vezes, a polícia européia ajuda a máfia sem querer, prossegue Kerner. “Quando um novato indesejado aparece no mercado da droga, os bandidos estabelecidos lhe fazem uma oferta lucrativa: dois a três quilos de heroína a preço camarada. A polícia é informada sobre a entrega, tira imediatamente de circulação o concorrente incômodo. E a máfia agradece.”

Caçadores de mafiosos

Um grande problema é a total falta de cooperação entre as autoridades policiais européias, critica Rainer Wendt. “São 16 polícias estaduais e uma federal na Alemanha, incontáveis repartições em toda a Europa, mas sem qualquer articulação entre si!” O líder sindical da polícia alemã defende a idéia de equipes transnacionais de investigação conjunta. Tal, porém, não funciona na prática, “porque as polícias nacionais se recusam a mostrar suas cartas”, aponta.

Também em questão de globalização, o crime organizado está muito à frente dos órgãos oficiais.”Enquanto os agentes europeus ainda estão preenchendo o formulário para poder viajar para a Noruega ou a Itália, com dois telefonemas a máfia já está conectada”, comenta Kerner.

A solução poderia ser a Europol, para onde os dados de toda a Europa deveriam confluir. Contudo, os poderes do Serviço Europeu de Polícia são muito limitados. Wendt exige: “A Europol não serve apenas para armazenar dados. O órgão precisa, enfim, receber competências para buscas e investigação criminal. A Europol tem que se tornar um caçador de mafiosos”.

Cooperação é também a meta da ONU, confirma o porta-voz Walter Kemp. “Só poderemos ter sucesso contra a máfia agindo internacionalmente.”

Fonte: http://www.dw-world.de/dw/article/0,2144,3715533,00.html

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