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Violência e medo são cotidiano de vítimas da exploração sexual

Posted by Daniela Alves em novembro 2, 2008


O silêncio das ruas de Campo Grande abafa a gravidade do crime de exploração sexual de crianças e adolescentes. Nesse universo cortinado, meninos e meninas são violentados, custeiam o consumo de drogas com a exploração de seus corpos, são ofertados em casas noturnas, recebem ameaças de traficantes, dormem de dia, em prédios abandonados, para escaparem da morte, que pode chegar no breu das noites. Um dos agravantes é a idade: parte dessas crianças conhece a violência das ruas com apenas cinco anos de vida. A assistente social Vânia Nogueira, coordenadora do projeto “Acelerando Passos” do IBISS/CO (Instituto Brasileiro Pró Sociedade Saudável), revela parte do cotidiano das vítimas infantis da exploração sexual. O projeto combate a violência sexual contra crianças e adolescentes, desenvolvendo estratégias como mapeamento dos lugares onde ocorre esse crime, abordagens às vítimas, realização de oficinas e ações conjuntas com a rede de proteção desse público.

Ir até as crianças e adolescentes explorados é ação imprescindível em razão da natureza do projeto. Essa ação possibilita à assistente social Vânia e à sua equipe conhecer o mundo das pequenas vítimas. Mas esse conhecimento não é tarefa fácil. A dificuldade inicial consiste em descobrir os adolescentes, por eles esconderem a idade e/ou por serem mantidos em lugares escusos de casas noturnas.

Apesar dessa dificuldade, o projeto consegue retirar parte do pesado véu que cobre o crime e identificar, nas ruas e casas noturnas da cidade, adolescentes sendo explorados sexualmente. Vânia conta que, nas últimas semanas, sua equipe identificou cinco adolescentes, entre 15 e 17 anos, vitimados pelo comércio do sexo: três foram descobertos em pontos e duas, em casas noturnas.

No entanto, essa forma de exploração – em que os adolescentes já estão nos lugares pré-considerados para fins do comércio do sexo – corresponde a um fio do emaranhado do crime. Meninos moradores de rua também podem ser sucumbidos a esse comércio. Em outros casos, os adolescentes são explorados sem deixar suas casas.

Sexo com crianças e adolescentes sempre se configura exploração e, por decorrência, crime. Mesmo quando não há a figura do cafetão, as crianças e os adolescentes continuam explorados. “Os exploradores são os clientes. Como adultos, eles devem ter consciência do ato”, explica a assistente social.

Vânia conta que as explorações de meninas e de meninos podem ocorrer de maneiras particulares. “Muitas meninas continuam tendo uma vida, de certa forma, normal: vão para a escola, têm suas amigas. O que muda é que começam a usar vestidos mais caros, sapatos… Então, vêem a exploração como algo positivo”, conta a assistente social. Esse comportamento pode provocar a errônea idéia de culpabilidade da própria vítima. “Não se pode esquecer que quem deve ter a consciência é o adulto”, reforça.

Os meninos, por sua vez, são violentados nas ruas. A maior parte das crianças e adolescentes, que moram nas ruas, é formada por meninos, de acordo com a assistente social. Iniciados por traficantes no consumo de drogas, esses meninos passam a ter a necessidade diária de dinheiro para o alívio da fome e do vício. O dinheiro provém de pequenos roubos, da mendicidade e da exploração sexual dos tenros corpos.

A Praça Ari Coelho está em meio à rede, traçada por histórico de violência doméstica, abandono do lar, consumo de drogas, narcotráfico e comércio sexual. Em apenas uma abordagem, a equipe do projeto constatou a presença de 12 meninos na praça. Parte deles abaixo da idade escolar. “Há crianças de 5 anos morando nas ruas”, conta Vânia. Introduzidas no consumo de drogas, essas crianças passam a ter a mesma necessidade dos meninos mais velhos de conseguirem dinheiro.

A morte é uma possibilidade no cotidiano desses meninos. Para afugentá-la, eles trocam o dia pela noite. A assistente social conta que, durante o dia, eles dormem em mocós (construções abandonadas) e se agrupam, sobretudo na praça Ari Coelho. “Eles tem medo de dormirem à noite e serem mortos”, diz Vânia. O medo das crianças e adolescentes moradores de rua emana dos traficantes.

Como dormem pelo dia, os meninos têm a noite para conseguirem dinheiro, comerem e consumirem drogas. E também para seguirem como vítimas do crime de exploração sexual.

Fonte: Midia Max

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