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(Macau-China) Seminário sobre tráfico humano ontem no Centro Cultural

Posted by Daniela Alves em novembro 26, 2008


Hotéis também devem agir

Cinco por cento dos casos de trabalho forçado passam pelos hotéis. Macau, como cidade turística por excelência, deve apostar no combate destes crimes a partir dos balcões das recepções das unidades hoteleiras. A ideia foi defendida ontem num seminário sobre o tema, que contou com a presença de Florinda Chan

Alexandra Lages

Uma mulher proveniente da China continental foi encontrada, na semana anterior, no exterior do hotel-casino The Venetian à procura de ajuda. Alegadamente, foi vítima de trabalho forçado na prostituição, quando o que lhe prometeram foi um emprego num salão de beleza em Zhuhai.

O indivíduo que a jovem conheceu na estação de comboios de Cantão trouxe-a para Macau ilegalmente e obrigou-a, sob a ameaça de violência física, a prostituir-se num hotel localizado no centro da cidade. De acordo com a vítima, esta facturou 30 mil patacas durante a sua estadia de três semanas em Macau até conseguir escapar, mas não viu uma única nota.

O mesmo aconteceu com duas mulheres de Shanxi e Gansu que foram encontradas pela Polícia de Segurança Pública, no mesmo dia do primeiro relato. As vítimas alegaram que um indivíduo lhes ofereceu emprego em salões de beleza em Macau, com um salário mensal de 40 mil patacas. Contudo, em vez disso, foram levadas para um hotel e uma sauna, situados na zona central do território, onde foram obrigadas a prostituírem-se, também sob a ameaça de violência física.

Casos como estes são o prato de cada dia do mundo do tráfico humano e do trabalho forçado. Normalmente, começam com uma oferta de emprego atractiva, mas terminam em quartos de hotel onde as vítimas são obrigadas a trabalhar na indústria do sexo.

Mas parte deste fenómeno pode ser combatida com a ajuda das gerências dos hotéis e unidades similares. A ideia foi defendida ontem pelo professor Richard Welford, co-director do CSR-Asia (Corporate Social Responsability-Asia), durante a sua apresentação no âmbito do seminário “Tráfico Humano e Trabalho Forçado: Uma preocupação de todos”. O evento foi organizado pela Comissão Consultiva para os Assuntos das Mulheres, com a parceria da Associação Bom Pastor, contando com nove oradores e a presença da secretária para a Administração e Justiça, Florinda Chan.

Richard Welford alertou para o facto de o trabalho forçado não acontecer só nas fábricas clandestinas. “Cinquenta por cento das vítimas acabam na prostituição e cinco por cento passam pelos hotéis. As gerências destes estabelecimentos têm um importante papel na luta contra o tráfico de pessoas”, defendeu.

Um cenário que assume maiores proporções numa cidade que vive do turismo, do entretenimento e do jogo como a RAEM: “O que é importante é ter um melhor conhecimento de quantas pessoas são traficadas e vítimas de trabalho forçado. Em Macau, há muitas unidades hoteleiras. É por isso que precisamos de verificar quantos hotéis locais têm vitimas de trabalho forçado. Porque se não estão dentro destes espaços, estão nos seus arredores”.

Até os hotéis mais refinados podem ser um local de passagem de redes de tráfico humano, apontou. É por isso preciso, segundo o orador, treinar os funcionários a detectar este tipo de situações.

Trabalho conjunto

Confrontada com estas ideias, à margem do seminário, Florinda Chan sustentou que a tarefa de combate ao tráfico humano extrapola o sector hoteleiro. “Não é de referir só proprietários de hotéis, mas sim todo o sector privado. É um trabalho que não é só o Governo sozinho ou a privada que conseguem fazer. Os esforços têm que ser em conjunto. O sector privado também tem que colaborar com o Governo”, frisou a secretária.

Quanto às saunas, a governante admitiu a existência de zonas mais vulneráveis a este tipo de crime. “Com as informações, troca de experiências e colaboração [o combate ao tráfico humano e trabalho forçado] deverá ser reforçado nessas zonas.”

Recorde-se que este fenómeno é um dos pontos quentes do quotidiano da RAEM, com o Departamento de Estado dos EUA a manter uma acção bastante vigilante sobre o que por aqui se passa.

De acordo com a mesma entidade, o tráfico humano tem aumentado de proporção na região desde 2005. Depois da publicação do último relatório intermédio, em Junho do ano passado, o director do Gabinete para a Monitorização e Combate do Tráfico de Pessoas, Mark Lagon, alertou até para a possibilidade do território ser alvo de sanções económicas.

Entretanto, este ano, o Executivo criou a Comissão de Acompanhamento das Medidas de Dissuasão do Tráfico de Pessoas e de uma Linha Aberta, que funciona 24 horas, para denúncia e pedido de apoio. O último relatório do departamento norte-americano destacou alguns “progressos modestos”.
Já o Gabinete para a Monitorização e Combate do Tráfico de Pessoas afirmou que o Governo “mostrou maior consciência” da importância deste problema na RAEM. Apesar disso, o território continua “Special Watch List”, com mais 40 países.

Ainda durante o seminário, Richard Welford afirmou que, nos nossos dias, a escravatura é mais grave do que nos tempos do mundo colonial. Só no sudeste asiático, nos últimos dez anos, 30 milhões de mulheres foram vítimas de trabalho forçado, informou.

Por outro lado, o co-director da CSR-Asia alertou para os “preços escondidos” que existem nos artigos contrafeitos baratos. “São conseguidos à conta de fábricas clandestinas, com mão-de-obra ilegal constituída por mulheres e crianças”, denunciou. Ontem, assinalou-se o Dia de Combate contra a Violência contra as Mulheres.

Fonte: http://www.hojemacau.com/news.phtml?id=31574&type=society&today=26-11-2008

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