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Entre Hienas, Sanguessugas e a banalização do direito

Posted by Daniela Alves em dezembro 29, 2008


Um fato interessante aconteceu esses dias. Final de ano, Natal, festas, compras… Decidi trocar meu provedor de internet pois estava cansada da falta ética e descaso de minha antiga operadora. Fui a loja de outra operadora e decidi comprar uma internet móvel, aí começa todo aquele ritual que já conhecemos… todos lhe tratam bem, falam dos serviços ma-ra-vi-lho-sos que você vai adquirir…etc, etc, e mais blá, blá, blá…
Chegando em casa, o aparelho não funcionava. Resumindo, tive de voltar à loja. Chegando lá, uma daquelas lindas atendentes que fica como cão de guarda a frente da loja, com aquela cara de Hiena no cio, me atende; tive de contar toda a novela para ela, e ela disse que eu teria de ir a outra loja daquela operadora — que fica apenas no outro lado da cidade – para eles comprovarem que o aparelho realmente não funcionava, para assim eles realizarem a devida troca. Começamos uma pequena discussão, na medida em que se eu comprei o aparelho naquela loja e para trocar eles devem testar o aparelho, logo, eles teriam de estar preparados para testá-lo, um tanto quanto óbvio.
Naquele momento comecei a notar que algo está acontecendo com essas empresas. Uma brilhante estratégia que todas estão adotando para não cumprir suas obrigações e consequentemente não fazer valer o direito dos consumidores: Vencer pelo cansaço.
Aquela Hiena, ops, quero dizer, a atendente, começou a retirar vários papéis que até então nunca foram mostrados para mim e nunca assinei nada com relação aquelas cláusulas. Sabe aquela sensação… será que na minha testa está escrito “IDIOTA?”… isso mesmo, com letras garrafais bem grandes e em negrito… assim que eu estava me sentindo.
A loja estava lotada e todos prestando atenção em minha discussão com a pseudo-atendente. Até que alguém nos bastidores da loja resolveu me atender… só precisei dizer: Este aparelho que comprei ontem, não funciona, e quero trocá-lo. A gerente nada disse, e um tanto quanto desapontada pegou o aparelho e trocou.
Quando estava para sair da loja (com todos me olhando), escuto alguém dizer: – Moça! Moça!
Olhei para ver se estava me chamando, e realmente estava. O rapaz veio a mim, com um senhor que parecia ser seu pai e disse: – Obrigada!
Obrigada? eu disse… Por que?
Porque você me fez acreditar novamente na justiça. É muito bom saber que existe alguém no mundo com senso de justiça e isso se mostra em pequenas coisas. Eu vejo sempre pessoas que vão reclamar de algum serviço mal realizado ou com defeito, como no seu caso, só que normalmente as pessoas aceitam qualquer coisa que a empresa fala e acabam jogando fora seus direitos, sem ao menos ter tido a consciência de que tinha um direito. Por isso eu lhe digo: Obrigada.
Neste momento as pessoas que estavam na loja começa a aplaudir, o rapaz sai rapidamente da loja, eu, toda vermelha com minha timidez saio da loja também e continuo meu dia.
A sensação? Atualmente tudo está tão banalizado que vira-se uma heroína pelo simples fato de conseguir trocar um modem.!?!?!?
Voltando a questão da estratégia de muitas empresas para não cumprir suas obrigações, reflete um retrocesso em todos os aspectos da sociedade atual, nesse caso, um grande retrocesso nas relações de trabalho e nas relações de consumo.
A atendente se vê obrigada pela empresa a fazer de tudo para que o cliente desista de trocar o produto dentro do prazo no qual o cliente não pagaria nenhum tipo de multa para desistir do serviço (caso for sua vontade). A atendente avalia sua ação de acordo com as sua consequências, logo, segue uma “ética” de lucro absoluto pré-determinada na empresa em que trabalha, na qual se resolve não obedecer às odens, perderá seu emprego e logicamente entrará para a fila de desempregados que a nossa vista não vê seu fim. Ela se vê obrigada também a passar por cima de suas convicções ou até mesmo de nem pensar que tenha alguma convicção para poder manter seu emprego… ela não notou que isso é Assédio Moral e ela poderia processar a empresa por todo constrangimento que a faz passar, por outro lado, se ela fizer isso perderá o emprego de alguma forma e o dinheiro que ganhou pelo processo obviamente não durará para sempre. Eis um deafio para OIT.
Por outro lado está o consumidor, que como o próprio rapaz que me parou disse: as pessoas nem se quer “tem a consciência de que tem um direito”. Fala-se muito que atualmente as pessoas reclamam mais pelos serviços prestados quando não as satisfazem e na grande evolução dos direitos do consumidor. Certamente são informações corretas, mas, que mascaram uma realizadade evidente: o número crescente de reclamações não é consequencia dos direitos adquiridos, muito pelo contrário, o número crescente de reclamações reflete o descaso e a não-conclusão dos litígios.
Poderia continuar desdobrando o assunto, mas, infelizmente falta-me tempo. Certamente vou escrever a continação deste texto, que até o momento serve como um pequeno alerta à banalização da vida em diversos aspectos.
 

Daniela Alves.

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