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HAITI: Destino das crianças é incerto

Posted by Daniela Alves em janeiro 20, 2010


Brasileiros entram com pedido de adoção e EUA recebem órfãos, mas o Unicef desaconselha a ação

Porto Príncipe. Mais de 300 brasileiros fizeram pedidos para adotar crianças haitianas desde o terremoto que devastou o país, informou a Embaixada do Haiti em Brasília. Antes do terremoto, 48% da população tinha menos de 18 anos e havia mais de 380 mil órfãos.

No entanto, os diplomatas afirmam que não há como dar continuidade aos processos, tendo em vista a situação crítica que vive o país. A previsão é que os pedidos comecem a ser analisados em 30 dias.

As pessoas interessadas em adotar devem mandar um e-mail com dados pessoais para a embaixada haitiana, para que os pedidos sejam encaminhados quando as condições do país melhorarem.

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República desaconselha a adoção de haitianos neste momento. “A adoção internacional não deve ocorrer em situações de instabilidade como guerras, calamidades e desastres naturais, por não ser possível verificar o histórico pessoal e familiar da criança que se pretende colocar em adoção, com a atual situação no Haiti”, afirma a subsecretária para Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente da Presidência da República e presidente do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Oliveira.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) também afirma que a adoção estrangeira deve ser o último recurso. “A reunificação familiar deve ser favorecida”, afirma a porta-voz da Unicef, Veronique Taveau. A instituição tenta identificar e registrar crianças que vagam desacompanhadas pelas ruas caóticas da capital Porto Príncipe, cujos pais morreram ou estão desaparecidos. Também há a preocupação com o tráfico de menores.

O Unicef relata o caso de uma menina de 2 anos e um menino de 7 que estão em um dos hospitais da missão de paz da ONU, sem ferimentos graves, mas que não têm para onde ir.

A menina sofre de paralisia cerebral e chegou ao hospital desidratada e em estado de choque. “Ela está na maca, chorando e sozinha. Ninguém sabe como se chama nem por onde começar a procurar sua família”, contam os membros do Unicef.

No mesmo hospital está Sean, que chegou gritando ao hospital com poucos arranhões e ficou 12 horas em posição fetal. Segundo o Unicef, as enfermeiras disseram que o garoto contou que seus pais estão mortos. Os médicos não querem dar alta sem saber quem tomará conta deles, diz a organização humanitária, que está tentando montar dois refúgios para crianças como Sean e a “menina”, nos quais possam ser atendidas enquanto suas famílias são procuradas. O Haiti não é signatário da Convenção de Haia, que regulamenta e padroniza a adoção internacional. Assim, quem quer adotar uma criança precisa entrar em contato com a embaixada, que fará a intermediação com as autoridades do país.

Estados Unidos

Ontem, 53 crianças haitianas, salvas dos escombros do orfanato onde viviam por dois socorristas americanos, chegaram a Pittsburgh (Pensilvânia, leste dos Estados Unidos. A maioria está na faixa dos quatro anos.

As crianças chegaram num avião cargueiro militar, acompanhadas pelo governador da Pensilvânia, Ed Rendell. A maioria aguardava a adoção por americanos, um processo que leva mais de 18 meses, mas que foi facilitado pelo governo.

CAMPANHA
Grupo Pão de Açúcar doa US$ 1 milhão ao país

O Grupo Pão de Açúcar doará US$ 1 milhão para ajudar na recuperação do Haiti. Quem quiser contribuir e ampliar o volume dessa doação podem fazê-lo a partir de hoje. A cada R$ 20 em vendas de itens de marcas exclusivas, o Grupo Pão de Açúcar fará uma doação de R$ 1 ao país. As lojas Pão de Açúcar e Extra também estão recebendo donativos como água, enlatados, biscoitos e barras de cereal até o dia 14 de fevereiro.

A Abbott, empresa global diversificada na área da saúde, e sua fundação para filantrópica, Abbott Fund, também anunciou a doação de US$ 1 milhão em fundos e produtos farmacêuticos e nutricionais de primeira necessidade para aumentar a capacidade de socorro das organizações humanitárias em atendimento às necessidades imediatas do Haiti.

MILITARES BRASILEIROS
Congresso quer discutir proposta

Brasília. O Congresso Nacional quer discutir a proposta do ministro da Defesa, Nelson Jobim, de manter por mais cinco anos os militares brasileiros no Haiti para colaborar na reconstrução do país. O presidente da Comissão de Relações Exteriores da Câmara, deputado Damião Feliciano (PDT-PB), disse que a discussão precisa passar pelo Legislativo antes que o governo decida por conta própria manter os militares no Haiti.

“É unanimidade em todo o mundo a importância da presença das Forças brasileiras. Mas vamos ter que fazer o desmame. Isso demanda custo, dinheiro, tem que passar pelo Congresso Nacional essa discussão. Respeito a posição do ministro Jobim, mas vamos ter que discutir no âmbito do Congresso”, afirmou Feliciano.

Após o recesso parlamentar do Congresso, que termina no dia 2 de fevereiro, a comissão pretende convidar o ministro a prestar depoimento sobre a presença dos militares no Haiti. “Ele deve vir à nossa comissão discutir, é prerrogativa do Congresso ouvi-lo”, afirmou.

No último sábado, o ministro Jobim afirmou que o Brasil deverá ficar por, pelo menos, mais cinco anos no Haiti, mesmo após terminar o período pelo qual o país se comprometeu a compor a Minustah (Missão de Paz da ONU no Haiti), que se encerra em 2011. Ele afirmou ainda que vai propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentar as atribuições das tropas brasileiras no Haiti.

O ministro citou como exemplo aumentar as atribuições de engenharia das tropas, para que possam ajudar no processo de reconstrução do país.

Críticas

Em visita ao Haiti, o secretário-geral do Itamaraty, Antônio Patriota, afirmou que é “prematuro” falar que o Brasil permanecerá pelo menos outros cinco anos no país caribenho, contrariando previsão feita pelo ministro.

“A presença da Minustah é condicionada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas”, disse Patriota, em entrevista coletiva concedida na base militar brasileira em Porto Príncipe.

“Sobre a presença brasileira ou internacional no Haiti, acho que é prematuro dizer. O importante é que haja um engajamento, um compromisso do Brasil em ajudar o Haiti a se reerguer”, acrescentou Patriota.

MISSÃO DE PAZ
Conselho da ONU vai enviar mais 3.500 soldados ao Haiti

Porto Príncipe. O Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU)aprovou ontem, por unanimidade, um aumento temporário no número de tropas e policiais da entidade no Haiti em 3.500 para ajudar a manter a segurança e ajudar nos esforços humanitários ao país.

Assim, o contingente total da missão de paz da Organização das Nações Unidas no Haiti, conhecida como Minustah, subirá para 12.651, em relação ao nível atual de cerca de 9 mil.

O embaixador chinês na ONU, Zhang Yesui, atual presidente do Conselho, afirmou que o contingente temporário tem mandato de seis meses, mas esse período pode ser prorrogado.

“Estou grato ao Conselho de Segurança por sua rápida ação”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, acrescentando que a decisão é um “sinal claro de que o mundo está com o Haiti”.

Os capacetes azuis da ONU têm encontrado dificuldades em ajudar a manter a ordem e garantir a entrega de ajuda humanitária às vítimas do devastador terremoto que deixou o Haiti em ruínas e matou até 200 mil pessoas.

Segundo o chefe de missões da ONU, Alain Le Roy, a principal missão desse contingente extra será escoltar os comboios que levam ajuda ao país.

O vice-embaixador dos Estados Unidos na ONU, Alejandro Wolff, elogiou o aumento do contingente da entidade no Haiti e deixou claro que a entidade, não os EUA, está no comando da resposta humanitária ao desastre. Mais de 11.000 militares americanos estão no Haiti.

Mais cinco anos

“É unanimidade em todo o mundo a importância da presença das Forças brasileiras”

Nelson Jobim
Ministro da Defesa

Infância

380 Mil órfãos já viviam no Haiti antes do terremoto e 48% da população tinham menos de 18 anos. Agora, as autoridades não sabem ao certo quais são estes números

FONTE: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=722433

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