Blog – Daniela Alves

Base de Dados sobre o Tráfico da Vida Humana

Archive for the ‘Trabalho Escravo’ Category

Estudo mostra como consumo na cidade de São Paulo influencia a devastação da floresta e a exploração de mão-de-obra escrava

Posted by Daniela Alves em outubro 15, 2008

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As entranhas da relação entre a destruição da Amazônia e a economia da cidade de São Paulo foram expostas, nesta terça-feira (15), com a apresentação do estudo “Conexões Sustentáveis São Paulo – Amazônia: Quem se beneficia com a destruição da Amazônia?“.

O trabalho foi elaborado por jornalistas das ONGs Repórter Brasil e Papel Social Comunicação, que durante meses percorreram milhares de quilômetros pela Amazônia para verificar a situação dos impactos ambientais e sociais causados pelo avanço da agropecuária, do extrativismo, das plantações de soja e até dos financiamentos públicos e privados sobre a floresta.

A região da bacia do Rio Xingu, distribuída entre os estados do Mato Grosso e Pará, serviu como limite geográfico para a investigação dos elos produtivos que ligam os negócios entre esta região e São Paulo. A bacia do Xingu tem 51 milhões de hectares e mais da metade de seu território está protegida por Terras Indígenas e Áreas de Conservação.

Para Leonardo Sakamoto, cientista político e coordenador da Repórter Brasil, apesar do limite geográfico do estudo, feito em virtude da dificuldade de transporte na região que impede a realização da pesquisa em toda sua extensão em poucos meses, a situação constatada na bacia do Rio Xingu não é uma exceção em relação a todo o território amazônico. “Pelo contrário, os casos de trabalho escravo e desrespeito à legislação ambiental se repetem em outros locais da Amazônia e são conseqüência de um modelo econômico predatório”, colocou.

O papel do consumidor mereceu análise de Marques Casara, da Papel Social Comunicação. Apesar das restrições como uma das partes do processo – uma vez que quem está na ponta da cadeia precisa consumir -, o agente final “pode usar o poder de compra para pressionar a rede de varejo a adquirir produtos de fornecedores que tenham uma cadeia produtiva legal”. Ele lembrou ainda que instituições de defesa do consumidor, como o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), podem utilizar essas informações para promover ações que ajudem a população a conhecer de fato de quem está comprando.

O estudo mostra que diversos atores se beneficiam da derrubada ilegal de madeira na floresta e da exploração ilegal de mão-de-obra escrava. Madeireiras, frigoríficos, agroindústrias, por exemplo, estão diretamente ligadas ao problema, pois compram de fornecedores que estão na linha de frente do desmatamento.

Roberto Scarpari, gerente do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em Altamira (PA), também esteve presente no evento de apresentação do estudo. “Ao efetuarmos uma compra, nós consumidores estamos aceitando a forma como aquele produto foi feito. A questão é que poucos sabem como ele foi produzido. Temos o direito de saber a origem da matéria-prima. Eu acredito que todas as cadeias produtivas deveriam ser transparentes, publicadas de diversas formas”, declarou.

Pecuária
No Pará, a pecuária vem crescendo principalmente em torno dos eixos de duas rodovias que cortam o Sul do estado: a PA-150, que parte de Marabá, e que se conecta em Xinguara com a PA-279, que se estende até São Félix do Xingu. Na área de influência dessas duas estradas, existem oito frigoríficos, além de outros três em construção. A atividade ganhou fôlego extra a partir de maio de 2007, quando a região foi considerada área livre de febre aftosa e recebeu passe livre para a exportação de bovinos.

Segundo a pesquisa, o potencial da pecuária amazônica vem atraindo inclusive a atenção de empreendedores sem tradição no segmento que tem interesse na multiplicação do capital investido. O caso mais notório é o do Grupo Opportunity, ligado ao banqueiro Daniel Dantas, com participação relevante naquela que já constitui a maior empresa de pecuária de corte do Brasil: a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara. Com menos de três anos, a empresa já conta com impressionantes 500 mil hectares espalhados por 15 municípios do sul paraense. E o número de bois pastando nas terras da empresa cresce alucinadamente. Apenas entre 2006 e 2007, o incremento foi de 365%. O rebanho já chega a quase meio milhão de cabeças.

Os investimentos no Mato Grosso também não ficam atrás. De acordo com um diagnóstico elaborado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), 39 frigoríficos estavam em funcionamento no estado em 2007. Espalhadas por 24 municípios, essas indústrias somavam uma capacidade diária de abate de 22 mil cabeças. O mesmo estudo identificava seis unidades em processo de ampliação e nove plantas em construção – o que deve simplesmente dobrar o número de abates por dia.

São Félix do Xingu, no Sul do Pará, é um ótimo exemplo para entender o quadro atual de expansão da pecuária na Amazônia. Em 1997, as fazendas desse gigantesco município de 84 mil quilômetros quadrados comportavam menos de 30 mil cabeças, de acordo com o Sindicato dos Produtores Rurais (SPR). Em dez anos, esse contingente passou para 1,7 milhão de animais – o maior rebanho bovino do estado, e um dos maiores do país. Mas o próprio SPR acredita que o número real supere os dois milhões.

O município também viu, nos últimos dez anos, cerca de 14,5 mil quilômetros quadrados de mata nativa (quase dez vezes superior à da cidade de São Paulo) tombarem para a formação de pastos. Para completar, a atual “lista suja” do trabalho escravo apresenta seis fazendas de São Félix do Xingu. Cinco delas se dedicavam à pecuária de corte quando foram flagradas. Ao todo, 136 trabalhadores foram libertados dessas propriedades.

Madeira
O estudo mostra dados do Ministério do Meio Ambiente (MMA) que apontam que cerca de 12,7 milhões de metros cúbicos de madeira da Amazônia abasteceram o mercado em São Paulo. A maior parte desse volume vem processada porque o Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para toras brutas é bem mais alto. Os paulistas consomem 23% do que se extrai da floresta, segundo a Diretoria de Florestas do Ibama. A quantidade representa mais do que a soma do volume adquirido pelos dois estados que aparecem em segundo lugar, Paraná e Minas Gerais, ambos com 11%.

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Governo e sociedade discutem estratégias de combate ao trabalho escravo

Posted by Daniela Alves em outubro 13, 2008

Os ministros Paulo Vanucchi, da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), e Carlos Lupi, do Trabalho, reuniram-se no dia 08 de outubro com entidades da sociedade civil e do empresariado ligadas à agricultura para discutir estratégias de combate ao trabalho escravo. Vanucchi ressaltou que essa situação ainda é uma “nódoa” na imagem do país no exterior.

“Nós vamos batendo os competidores mundialmente um por um na exportação de cada item agrícola. E esses exportadores poderão recorrer a instrumentos internacionais como a OMC [Organização Mundial de Comércio], com o pretexto de que essa pequena parcela, ínfima, dos produtores que utilizam mão-de-obra escrava seja a razão dos preços competitivos brasileiros”, alegou o ministro dos Direitos Humanos.

Segundo o Ministério do Trabalho, cerca de 1%  da produção agrícola está envolvida com trabalho análogo à escravidão. O secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Silas Brasileiro, admitiu que a área social pesa no exterior, na hora das exportações. Segundo ele, por isso o ministério trabalha sempre considerando a sustentabilidade – social, ambiental e econômica. “Temos que produzir mais, sermos mais competitivos, mas sempre respeitando o trabalhador”, afirmou.

Esse respeito também foi a principal preocupação demonstrada pela diretora da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, Laís Abramo. Segundo ela, o país tem feito um esforço para não esconder as situações de trabalho escravo. Com isso, entre 2003 e 2007, quase 20 mil trabalhadores foram libertados. Mas isso, ressalta ela, não é suficiente.

“A gente não pode ficar contente com a redução de 10% ou 20% do trabalho em condições degradantes. O objetivo é a erradicação”, afirmou Laís.  Para isso, disse ela, é preciso associar a repressão com a prevenção e a inserção dessas pessoas em trabalhos decentes.

Fonte: Agência Brasil

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Família Calabresi é alvo de ação indenizatória de R$ 1 mi

Posted by Daniela Alves em abril 29, 2008

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou ação civil pública na Justiça do Trabalho de Goiás requerendo a condenação da família Calabresi a pagar indenização mínima de R$ 1 milhão por ter utilizado trabalho escravo infantil doméstico. O MPT justificou a ação em razão dos atos de extrema violência, abusos, trabalho forçado, tortura e ameaças, bem como da gravíssima ofensa aos direitos humanos e à ordem jurídica cometidos pelos integrantes da família contra uma menor, que teria sido reduzida à condição de “coisa”. Caso haja condenação, o dinheiro deverá ser revertido para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

O MPT pede a condenação dos réus ao cumprimento de obrigação de não mais utilizar trabalho escravo e infantil doméstico e à condenação pecuniária por danos morais coletivos, tendo em vista que a agressão da família ofende não só a adolescente mas toda a sociedade brasileira. A ação civil pública será distribuída para a 10ª Vara do Trabalho de Goiânia, onde já tramita medida cautelar na qual foi deferido o bloqueio dos bens da família.

Fonte: A Tarde online

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Espanha: Desmantelada rede de trabalho escravo que explorou cerca de três mil portugueses

Posted by Daniela Alves em abril 29, 2008

De acordo com as autoridades, os 28 detidos são acusados dos crimes de sequestro, escravidão, tráfico de pessoas, associação criminosa e branqueamento de dinheiro.

A polícia acredita que os detidos exploraram, pelo menos, três mil portugueses em trabalhos agrícolas nas regiões de La Rioja, Navarra, País Basco e Aragão.

Na conferência de imprensa hoje em Espanha, António Almeida Pereira, da Polícia Judiciária do Porto, adiantou que o desmantelamento da “rede de exploração de trabalhadores portugueses em Espanha teve lugar na semana passada”.

“No dia 21 de Abril foram detidos 19 suspeitos em Espanha e nove em Portugal. Os detidos em Portugal já foram presentes ao juiz de investigação criminal e dois ficaram em prisão preventiva”, acrescentou.

Por seu lado, o coronel da Guardia Civil espanhola Francisco Arribas sublinhou que os trabalhadores eram instalados “às vezes em barracões, em condições muito precárias”.

Disse ainda que a rede angariava sobretudo pessoas “de baixa escolaridade e com problemas de álcool ou de droga” e que se “aproveitavam do seu baixo nível intelectual para ficarem com os seus cartões Multibanco e os códigos para manejarem as contas”.

A operação, iniciada em 2005, teve também a colaboração do Eurojust, o organismo europeu criado em 2002 para lutar contra a delinquência organizada, o que permitiu emitir 31 mandatos europeus de detenção.

Desses 31 mandatos faltam cumprir três porque dois dos suspeitos estão na Suíça e outro está hospitalizado.

Todos os detidos vão ser julgados em Portugal, porque o Eurojust considerou ser a jurisdição mais competente, com independência do lugar onde os crimes foram cometidos.

A Polícia Judiciária portuguesa deteve nove pessoas em Portugal, enquanto em Espanha a Guardia Civil deteve os outros 19.

Segundo os investigadores, a organização, perfeitamente estruturada e hierarquizada, era formada por uma centena de pessoas de vários grupos familiares, com um chefe que controlava a organização.

Os alegados exploradores aliciavam os trabalhadores em zonas marginais da zona do Porto e aproveitavam-se do facto de pertencerem a famílias problemáticas, de serem analfabetos ou viciados em drogas ou álcool, indicaram as autoridades.

Com a promessa de pagarem salários elevados, os suspeitos levavam-nos para Espanha, onde se alojavam em condições “muito precárias”.

Os detidos abriam contas bancárias em nome dos trabalhadores, onde os empresários espanhóis depositavam os salários, mas eram os supostos exploradores que ficavam com os cartões e os códigos de acesso, pelo que as “vítimas” não tinham acesso aos seus ordenados, de cerca de 700 euros.

Além disso, os alegados exploradores descontavam-lhes parte do ordenado para as despesas de alojamento e alimentação e, por vezes, proporcionavam-lhes drogas e serviços de prostitutas, cujos custos também lhes eram retirados da conta.

Foram os familiares dos trabalhadores quem apresentaram queixa às autoridades do seu desaparecimento e das suas suspeitas de que estavam a ser explorados.

Há precisamente um ano, surgiram também denúncias de trabalhadores portugueses que estavam a ser vítimas de exploração laboral na região espanhola de La Rioja.

Fonte: Lusa/Fim

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OIT faz alerta para expansão de usinas de álcool em MS

Posted by Daniela Alves em abril 28, 2008

Com a estimativa de instalação de cerca 60 novas usinas no Estado nos próximo anos e geração de milhares de empregos diretos e indiretos, a produção de biocombustíveis em Mato Grosso do Sul promete mexer com a economia regional. No entanto, a poucos dias da data alusiva ao dia do trabalhador, a OIT (Organização Internacional do Trabalho) faz um alerta sobre boom da produção de açúcar e álcool no Estado.Coordenadora do Projeto Nacional de Combate ao Trabalho Escravo da OIT (Organização Internacional do Trabalho), Andréa Bolzon afirma que a organização tem acompanhado com preocupação a expansão do setor em Mato Grosso do Sul. De acordo com ela, a OIT não define como incompatível o crescimento desta atividade e o trabalho decente, mas faz ressalvas ao processo de instalação que vem ocorrendo no Estado. “De fato as pessoas de Mato Grosso do Sul precisam estar muito atentas com essa atividade”, enfatiza, lembrando da celeridade que Mato Grosso do Sul tem dado quando o assunto é implantação de novas usinas.

Em Goiás, que recentemente viveu o processo da atividade sucroalcooleira, conta Andréa Bolzon, os impactos sociais foram graves. “Observamos maior ocorrência de gravidez na adolescência, assim como um aumento nos casos de exploração sexual de crianças e adolescentes”, destaca.

Mato Grosso do Sul já é hoje o segundo estado do país em casos de libertação de trabalhadores que se encontravam em situação de escravidão. O Pará lidera o ranking nacional. Somente no ano passado, foram libertados 1.779 sul-mato-grossenses que se encontravam em condições degradantes de trabalho, o que fez o estado aumentar em mais de 5.500% o número de ocorrências, se comparado a 2006. Conforme o Ministério do Trabalho, as áreas de plantio de cana-de-açúcar e carvoarias são os locais onde existem mais registros. Continue lendo »

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Escravidão na América (tráfico na Bolívia, Paraguai e Argentina)

Posted by Daniela Alves em abril 4, 2008

Nelson Vilca

Na cidade de Córdoba, encontra-se o centro de residentes Bolivianos onde habitualmente se denuncia abusos dos direitos dos residentes Bolivianos na Argentina, onde somos testemunhas também do tráfico de bolivianos para trabalhos forçados, insalubres e logo que remunerados, trabalho escravo. Muitas vezes explorados tanto por bolivianos como por argentinos, mas por assim dizer pouco as organizações como o ministério do trabalho, a fiscalização e a polícia não desenvolvem o trabalho que deveriam fazer por ofício e as vítimas não denunciam os fatos muitas vezes por ameaças, e o consulado da Bolívia ao invés de reverter esta realidade só se ocupa de desviar dos jornalistas quando a notícia é capa dos diários e não há campanhas de informação e denúncia destes feitos à toda comunidade.

Mas isto não é o único nessa província, também houve casos no povo originário Qom (toba) oriundos do Chaco, província do norte argentino, que também correram com a mesma sorte e onde os resultados só foi uma denúncia no qual a causa dorme em uma gaveta.

A prostituição infantil também está presente, em pequenas cidades no interior da província de Córdoba como Vila Maria, Río Cuarto Bell Ville. Mas toda esta informação só serve para a capa dos diários de um dia e do debate da rádio e televisão de dois ou três dias.

Além disso, costumam bater no peito as autoridades e os discursos que dizem “estamos fazendo tudo o que esta a nosso alcance para isto não volte a acontecer” e depois destas palavras, o jornalista que diz “por favor doutor uma foto para o diário” e o sorriso correspondente certamente, mas enfim.

Para poder seguir analisando a situação, devemos seguir o fio condutor a estes fatos e averiguamos as origens destes casos e sua procedência. Viajamos ao Chaco e Formosa onde há casos de seqüestro de crianças e captação de mulheres para a prostituição, mas paramos também em Santiago del Estero lugar propício para captar às crianças de famílias pobres, e os mecanismos são os mesmos nas diferentes províncias. Regularmente são casais que vão a uma comunidade pobre de Santiago com a desculpa de fazer turismo ou de fazer obras benéficas, levam alimentos e ao ver que têm vários filhos lhes perguntam se não querem que eles tenham uma melhor vida. Então o suposto casal promete que lhe dará um melhor bem-estar e levando-o à grande cidade onde poderá estudar e trabalhar na casa deste casal feliz. Uma vez que se vão do povoado estas pessoas não voltam mais.

As crianças e meninas são levadas para exercer a prostituição ou são vendidas para trabalho escravo, este casal antes de retirar-se do povoado lhe dá regularmente 100 ou 50 pesos para que alimente aos outros filhos, isto faz com que o custo da obtenção deste menino seja de 50 ou 100 pesos somando também o custo do combustível para chegar nesse povoado, ou seja custo total do menino 150 pesos argentinos. Depois este menino é agenciado por um proxeneta em Buenos Aires ou outra cidade, se é vendido pode custar entre 300 ou 500 pesos a venda e se o vende várias vezes já que o menino ou menina não fica em um só lugar mas é transportado constantemente. Continue lendo »

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Abaixo-assinado pelo confisco das terra de escravagistas no Brasil

Posted by Daniela Alves em abril 2, 2008

Mais de 1,8 mil pessoas já assinaram o abaixo-assinado eletrônico e outras milhares firmaram o documento em papel pedindo a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 438/2001, que determina o confisco da terra onde for constatada a exploração de trabalho escravo.

A iniciativa partiu do “Movimento Nacional pela Aprovação da PEC 438 e pela Erradicação do Trabalho Escravo”, que realizou ato público no Congresso Nacional com presença de autoridades do Poder Executivo, representantes de instituições públicas, parlamentares e integrantes de organizações da sociedade civil no dia 12 de março.

A proposta está estagnada desde agosto de 2004. Foi aprovada em primeiro turno no Plenário da Câmara dos Deputados e aguarda apreciação em segundo turno. A emenda já passou pelo Senado e, se aprovada, deverá ser remetida novamente aos senadores por causa de mudanças efetuadas na Câmara. O presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), declarou que está disposto a colocar a matéria em pauta, mas recomendou a intensificação de mobilizações em torno do tema. 

Outros 11 projetos relacionados ao combate à escravidão continuam estagnados no Parlamento, como ocorre com a “PEC do Trabalho Escravo”. 

“A Constituição do Brasil afirma que toda propriedade rural deve cumprir função social. Portanto, não pode ser utilizada como instrumento de opressão ou submissão de qualquer pessoa. Porém, o que se vê pelo país, principalmente nas regiões de fronteira agrícola, são casos de fazendeiros que, em suas terras, reduzem trabalhadores à condição de escravos – crime previsto no artigo 149 do Código Penal. Desde 1995, mais de 28 mil pessoas foram libertadas dessas condições pelo governo federal”, justifica o texto do abaixo-assinado.

De acordo com Xavier Plassat, que coordena a Campanha Contra o Trabalho Escravo da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o abaixo-assinado está sendo distribuído Brasil afora por organizações de base e certamente será referendado pelo conjunto dos trabalhadores rurais. “Está claro que quem comete o crime de escravidão precisa ser punido. E nada mais justo que as terras sejam destinadas à reforma agrária”, analisa.  

Integram o movimento: a Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo no Senado Federal, Subcomissão de Combate ao Trabalho Escravo, Degradante e Trabalho Infantil na Câmara dos Deputados, Secretaria Especial dos Direitos Humanos, OIT, CPT, Fórum Nacional da Reforma Agrária, MST, Via Campesina, Contag, Fetraf, Coetrae-MA, Coetrae-TO, CDVDH, CRS, Sinait, Anamatra, ANPT, ANPR, AMB, Ajufe, OAB, Abra,Grupo de Pesquisa Trabalho Escravo Contemporâneo, Movimento Humanos Direitos, Repórter Brasil, Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social, entre outros. 

O texto do documento salienta que a PEC 438/2001 é um instrumento relevante para a abolição da escravidão contemporânea. “Neste ano em que a Lei Áurea faz 120 anos, os senhores congressistas podem tornar-se parte da história, garantindo dignidade ao trabalhador brasileiro”.  

Clique aqui para visualizar e assinar o abaixo-assinado

Fonte: Repórter Brasil

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Explora trabalho escravo? Perde a propriedade!

Posted by Daniela Alves em abril 1, 2008

No dia 13 de maio, o Brasil comemora 120 anos do fim da escravidão. Mas, infelizmente, até hoje ainda são encontrados alguns trabalhadores nessa situação em nosso País.

Por isso, está em tramitação a Proposta de Emenda à Constituição 438, de 2001. A proposta determina que as propriedades onde foram encontradas trabalhadores escravos deverão ser expropriadas, quer dizer, os proprietários deverão perder a posse da terra.

Apoio

A PEC ainda está esperando para ser votada. Mas o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, já deixou claro que é a favor da medida.

O ministro também elogiou o trabalho do Grupo Móvel, formado por fiscais do Ministério do Trabalho, da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), das polícias Federal e estaduais e de organizações não-governamentais, as ONGs. (…)

“O Brasil está agindo. Não estamos esperando os organismos internacionais virem e denunciarem o trabalho escravo”, afirmou o ministro.

Fonte: http://www.plenarinho.gov.br/noticias/agencia_plenarinho/ver_noticia.html?ui=5616154132495176511&id=explora-trabalho-escravo-perde-a-propriedade

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Haiti, onde se compra escravos por 50 dólares

Posted by Daniela Alves em março 27, 2008

Por Aloisio Milani

 http://aloisiomilani.wordpress.com/2008/03/19/haiti-onde-se-compra-escravos-por-50-dolares/

É estranho como alguns temas são recorrentes na carreira de jornalista. Há cerca de cinco anos atrás fiz um livro-reportagem sobre o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil. Viajei para Recife, Palmares, Fortaleza e Canaã para acompanhar denúncias. Agora, em minhas pesquisas sobre o Haiti, a história dos restavek reapareceu com este tema. Tenho a imprenssão que são casos de semelhante violência, mas a dimensão haitiana é mais cruel pelo incrível assédio de famílias estrangeiras.

Na semana passada, ouvi uma ótima entrevista na NPR, rádio pública dos Estados Unidos, com o autor de um novo livro sobre a escravidão moderna. Benjamin Skinner escreveu “A Crime So Monstrous: Face-to-Face with Modern-Day Slavery“. Em sua entrevista relatou que viveu situações no Haiti em que se podia comprar uma pessoa por US$ 50 e com ela explorar sexualmente ou para o trabalho doméstico. Clique aqui para ouvir em inglês a entrevista de oito minutos com ele pela NPR. Há um trecho com a gravação de sua apuração no Haiti.

“Para nossa referência, digamos que o centro do universo moral é a sala S-3800 do Secretariado das Nações Unidas, em Manhattan [sala do comandante da ONU]. A partir daqui, você está há cerca de cinco horas de ser capaz de negociar a venda, em pleno dia, de um saudável menino ou uma menina. Seu escravo virá em qualquer cor que quiser, como Henry Ford disse, contanto que seja preto [frase famosa atribuída ao fundador da empresa Ford que iniciou a fabricação em massa de automóveis]. Idade máxima: quinze. Ele ou ela podem ser usados para qualquer coisa. Sexo ou trabalhos domésticos são os mais freqüentes usos, mas cabe a você decidir.”

Aqui um trecho do livro de Skinner com tradução livre minha e alguns grifos pessoais. Ele descreve sua saga ao chegar no Haiti, descer no Aeroporto Tossaint L’Ouverture e procurar um escravo. “Em 1850, um escravo custaria entre US$ 30.000 para US$ 40.000 – em outras palavras, era como investir num Mercedes. Hoje, você pode ir ao Haiti e comprar uma garota de nove anos para usar como uma escrava sexual e doméstica por US$ 50. A desvalorização da vida humana é incrivelmente pronunciada”, disse na entrevista à NPR.

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Lista Suja do Trabalho Escravo

Posted by Daniela Alves em janeiro 18, 2008

A Organização Internacional do Trabalho, o Instituto Ethos e a ONG Repórter Brasil desenvolveram este sistema de busca facilitado com base no Cadastro de Empregadores da Portaria 540 de 15/10/2004 – a chamada lista suja divulgada pelo governo federal. Dessa forma, as empresas signatárias do Pacto Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo podem consultar se determinada propriedade está na relação. A ferramenta é de grande importância para que o setor empresarial cheque com rapidez quais fazendas devem ser suspensas das listas de fornecedores.

O acesso a esse banco de dados é livre e as informações são constantemente atualizadas com base nas informações fornecidas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego.

Lista Completa: http://www.reporterbrasil.org.br/listasuja/resultado.php

Fonte: Repórter Brasil

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