Blog – Daniela Alves

Base de Dados sobre o Tráfico da Vida Humana

Archive for the ‘Tráfico de Órgãos’ Category

Haiti denuncia tráfico de crianças e órgãos após terremoto

Posted by Daniela Alves em fevereiro 1, 2010

PORTO PRÍNCIPE – O primeiro-ministro do Haiti, Jean-Max Bellerive, afirmou nesta quinta-feira, 28, que existe tráfico de crianças e de órgãos em seu país após o terremoto do último dia 12.

“Há tráfico de órgãos para crianças e outras pessoas, porque existe uma necessidade para todo tipo de órgãos”, afirmou Bellerive em uma entrevista à CNN publicada em sua edição digital.

O primeiro-ministro haitiano não deu detalhes, mas quando a jornalista Christiane Amanpour perguntou se também há tráfico de crianças, Bellerive respondeu: “As informações que eu recebi dizem que sim”.

O Governo do Haiti tenta localizar crianças deslocadas e registrá-las para entregar a membros de sua família ou dar para adoção, explicou. Segundo Bellerive, o tráfico de crianças é “um dos maiores problemas que temos”.

O primeiro-ministro declarou que está trabalhando com as embaixadas em Porto Príncipe para proteger as crianças dos traficantes.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) já expressou sua preocupação com a saída de crianças supostamente órfãs do Haiti sem contar com a documentação adequada ou sem que os trâmites legais de sua adoção tenham sido concluídos.

A Unicef falou inicialmente sobre 15 crianças sequestradas em hospitais haitianos, mas depois disse que precisava confirmar esse número.

Na terça-feira, diferentes organizações do norte da República Dominicana disseram que o trânsito de crianças haitianas para cidades do país após o terremoto é alarmante.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,haiti-denuncia-trafico-de-criancas-e-orgaos-apos-terremoto,503287,0.htm

Posted in Tráfico de Órgãos, Tráfico de Crianças e Adolescentes | Etiquetado: , , , , | Leave a Comment »

Pobreza instiga comércio de órgãos humanos pela internet na Indonésia

Posted by Daniela Alves em janeiro 20, 2010

Juan Palop. Jacarta, 17 jan (EFE).- A miséria de milhões de pessoas na Indonésia instiga o comércio ilegal de órgãos humanos através da internet em páginas de anúncios classificados onde, às claras e sem intermediários, são oferecidos rins a partir de US$ 5 mil.

“Vendo rim. Preciso de dinheiro para pagar dívidas. Homem, 29 anos. Não fumo nem consumo drogas”. “Tenho 24 anos. Vendo meu rim urgentemente. Agradeço dinheiro antecipado”. “Estou muito interessado em vender um rim. Tipo de sangue: O. Disponibilidade imediata”.

Estas são algumas das mensagens colocadas na última semana em dois dos mais populares websites de anúncios da Indonésia, os portais “Gratisiklan” e “Iklanoke”.

Os anunciantes são em sua maioria jovens e estudantes com dificuldades para custear seus estudos, embora também haja adultos desempregados incapazes de pagar suas dívidas e mães que querem assegurar a alimentação e educação de seus filhos.

Muitos não têm nenhum medo de escrever seus nomes reais na rede ou de deixar seus números de telefone e endereços de e-mail para os interessados.

Os preços, que se especificam em menos da metade das ocasiões ou aparecem acompanhados da delatora palavra “negociável”, oscilam entre os 50 milhões e 800 milhões de rúpias (US$ 5.300 e US$ 87.400).

Quando um potencial comprador entra em contato, costuma exigir primeiro uma análise médica exaustiva em um hospital particular para comprovar o estado de saúde do fornecedor e a qualidade do órgão que procura, segundo indicam os especialistas.

Depois, se os resultados da revisão são satisfatórios, o interessado, geralmente estrangeiro, custeia ao doador interessado uma viagem a um terceiro país, em muitos casos Cingapura, onde se pode realizar o transplante com todas as garantias de saúde.

O tráfico ilegal de órgãos humanos não é delito recente na Indonésia, como reconhece o próprio Governo do país, que carece de uma estimativa oficial do alcance do problema.

Dois jovens indonésios de 26 e 27 anos foram condenados em 2008 em Cingapura por acertar a venda de seus rins a moradores ricos da cidade-estado, embora a operação não tenha chegado a ser consumada.

No entanto, a novidade que representa a proliferação destes anúncios através de internet é que, pela primeira vez, as máfias que controlam este mercado ilegal na Indonésia e que embolsam suculentas comissões se aproveitam das novas tecnologias, segundo os especialistas.

A nova Lei de Saúde, aprovada pelo Parlamento indonésio em outubro do ano passado, proíbe explicitamente o tráfico de órgãos, uma questão que não se contemplava antes, e estipula penas de até dez anos de prisão e multas de um bilhão de rúpias (US$ 110 mil) para os infratores.

No entanto, a lei admite que possam acontecer doações por “razões humanitárias”, o que deixa a porta aberta para irregularidades e abusos.

Segundo o Banco Mundial, cerca de 100 milhões de pessoas na Indonésia, 40% de sua população, vivem com menos de US$ 2 ao dia e a venda de um rim em troca de US$ 5.000 pode ser o meio para sair da miséria.

FONTE: http://ultimosegundo.ig.com.br/mundo/2010/01/17/pobreza+instiga+comercio+de+orgaos+humanos+pela+internet+na+indonesia+9337184.html

Posted in Tráfico de Órgãos | Etiquetado: , , | Leave a Comment »

Legalizar o tráfico de órgãos humanos? Análise do editorial da Revista Nature, 461, 570, de 30 de setembro de 2009

Posted by Daniela Alves em outubro 2, 2009

Por Celso Galli Coimbra*

veja endereços e vídeos complementares a este assunto no final desta postagem, após o editorial da Revista Nature

***

Em interpretação benéfica, o erro declaratório da morte encefálica para a maioria dos médicos representa uma conduta tipificada como homicídio culposo ou por dolo eventual se for feito no paciente traumatizado encefálico severo o teste da apneia (desligamento do respirador por 10 minutos) previsto na Resolução CFM 1480/97 e se não houver o esgotamento dos recursos terapêuticos em seu favor.

O teste da apneia é feito na medicina desde 1968, e seu único objetivo atual é tornar irreversível a morte encefálica do paciente para liberar órgãos transplantáveis o “mais rapidamente possível”, como determina a voz de comando dos gestores médicos.

Muitos dos médicos que procuram evitar esta situação promovem a inversão do protocolo declaratório de morte encefálica, realizando os exames confirmatórios antes do teste da apneia, porque se os “exames confirmatórios” forem realizados depois do teste da apneia eles serão inúteis para qualquer finalidade senão para proteger os médicos de responsabilidades criminais. Esta intenção de proteção aos médicos foi declarada como objetivo do protocolo de morte nas Atas da Câmara Técnica Brasileira da Morte Encefálica há dez anos atrás, quando membros desta Câmara chegaram a dizer que elaboraram o protocolo da Resolução 1480/97 apenas porque precisavam proteger os médicos de responsabilidades criminais diante de um “sistema judiciário complicado” como seria o brasileiro, e “mostrar figurinhas”, pois esta “declaração” de morte era para eles uma questão de “custo-benefício”.  Nas Atas desta Comissão, foi enfatizado que as pessoas “não acreditariam” na declaração de morte para fins de transplante de órgãos vitais únicos se não houvesse esses cuidados de aparência …

Como esta Ata foi obtida em processo judicial ajuizado pelo advogado firmatário, poucos médicos sabem de seu conteúdo, em que pese o Jornal do Brasil ter publicado em fevereiro de 1999 parte importante do conteúdo destas Atas, em três grandes reportagens em dias consecutivos. Já o Ministério Público Federal tem conhecimento de seu conteúdo, pois fizemos o protocolo da mesma no ano de 2000, naquele Órgão, representando dezenas de brasileiros.

Por outro lado, o que vem descrito para efeitos desta “declaração de morte” no editorial da Revista Nature, 461, 570, publicado on line em 30 de setembro de 2009, representa a defesa de homicídio doloso com o objetivo de promover a “colheita” de órgãos humanos para beneficiar a lucrativa indústria transplantadora.  Em 24 de setembro, em encontro internacional de médicos, transplantadores e bioeticistas no Italian Festival of Health, em Viareggio, foi concluído que os legisladores nos Estados Unidos e nos demais países deveriam reconsiderar rigidas definições de morte.

Morte não é uma “definição legal”, como é do interesse de interesses afastados dos caminhos legais, mas a constatação de um fato que gera efeitos legais. Se este fato for constatado de forma errada há tipificações penais para tal conduta. É muito “conveniente” a esses interesses utilizar a falácia de que morte é uma definição legal, quando isto não é verdade, nem seria possível.

O tráfico de órgãos humanos é a atividade do crime organizado que está em terceiro lugar no mundo em lucratividade e sua existência deve-se sobretudo à declaração na medicina de uma morte fictícia e não consensual na comunidade médica para fins de transplante de órgãos humanos.  O Festival da Saúde de Viareggio, de 24 de setembro de 2009, em suma, está propondo a “legalização” do tráfico de órgãos humanos, quando conclui que as legislações é que deveriam reconsiderar definições de morte, como se a função legislativa fosse apta para tanto.  Tal “reconsideração” está prescrita pelo Festival médico de Viareggio para ser flexível …

*Advogado

OABRS 11352

***

Editorial

Nature 461, 570 (1 October 2009) | doi:10.1038/461570a; Published online 30 September 2009

Delimiting death


Procuring organs for transplant demands a realistic definition of life’s end.

Prompted by the increasing practice of organ transplantation, and thus the need to procure donor organs that are as fresh as possible, many countries have modelled their legal definition of death on a US law passed in 1981 after extensive debate and thoughtful input from a specially appointed president’s commission of experts.

The law seems admirably straightforward: “An individual who has sustained either (1) irreversible cessation of circulatory and respiratory functions, or (2) irreversible cessation of all functions of the entire brain, including the brain stem, is dead.”

In practice, unfortunately, physicians know that when they declare that someone on life support is dead, they are usually obeying the spirit, but not the letter, of this law. And many are feeling increasingly uncomfortable about it.

In particular, they struggle with three of the law’s phrases: ‘irreversible’, ‘all functions’ and ‘entire brain’, knowing that they cannot guarantee full compliance. They do know that when they declare a death — according to strict clinical criteria, the principles of which are outlined in the original report of the president’s commission — that the person is to all intents and purposes dead. But what if, as is sometimes the case, blood chemistry suggests that the pituitary gland at the base of the brain is still functioning? That activity has nothing to do with a person being alive in any meaningful sense. But it undermines a claim that all functions of the entire brain have ceased. As do post-mortem observations that relatively large areas of tissue can be metabolically active in different brain areas at the time death is declared.

The criterion of irreversibility raises the question of how long one should wait to be sure that no function will re-emerge. Is the six hours recommended in the commission’s report sufficient? Physicians who have been required by circumstance to wait much longer have occasionally observed a brainstem-mediated reflex — a cough, for example — up to 36 hours after they would have declared death.

The problem is that death is not a phase transition whereby a person stops being alive and becomes dead in an instant. It is a long process during which systems, networks and cells gradually disintegrate. At some point, the person is no longer there, and can never be made to return. But the kind of clear, unambiguous boundary assumed in the 1981 law simply does not exist.

Ideally, the law should be changed to describe more accurately and honestly the way that death is determined in clinical practice. Most doctors have hesitated to say so too loudly, lest they be caricatured in public as greedy harvesters eager to strip living patients of their organs. But their public silence was broken on 24 September at an international meeting that included physicians, transplant surgeons and bioethicists at the Italian Festival of Health in Viareggio. The meeting concluded that lawmakers in the United States and elsewhere should reconsider rigid definitions of death, and called for a wider public debate.

The time has come for a serious discussion on redrafting laws that push doctors towards a form of deceit. But care must be taken to ensure that it doesn’t backfire. Learning that the law has not been strictly adhered to could easily discourage organ donation at a time when demand for organs already vastly exceeds supply. Physicians and others involved in the issue would be wise to investigate just how incendiary the theme might be, perhaps in contained focus groups, and design their strategy accordingly.

Few things are as sensitive as death. But concerns about the legal details of declaring death in someone who will never again be the person he or she was should be weighed against the value of giving a full and healthy life to someone who will die without a transplant.

Entrevista de Zack Dunlap: depois de declarado morto pelos médicos –

legendas em português

***

Morte encefálica: Zack Dunlap – com legendas em portugues
***

Morte encefálica: paciente continua vivo

***

FONTE: http://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/10/01/legalizar-o-trafico-de-orgaos-humanos/

Posted in Tráfico de Órgãos | Etiquetado: | Leave a Comment »

Um comércio de horrores

Posted by Daniela Alves em outubro 1, 2009

A Tanzânia condena pela primeira vez caçadores de albinos.
Devido a uma tenebrosa superstição, essas pessoas são
mortas e têm o corpo retalhado para ser vendido a feiticeiros

Uma mãe com seu bebê albino no Burundi: tradição macabra

Uma mãe com seu bebê albino no Burundi: tradição macabra

Um tribunal da Tanzânia mandou para a forca, na terça-feira passada, três homens que mataram um menino albino de 14 anos e amputaram suas pernas. É a primeira condenação para um tipo de crime comum no país. Desde 2006, pelo menos 75 albinos foram mortos e esquartejados no país. O albinismo é uma deficiência na produção de melanina, o pigmento que dá cor a pele, olhos, cabelos e protege da radiação ultravioleta. Os portadores da deficiência têm a pele pálida e vulnerável ao câncer, cabelos finos e olhos sensíveis à luz. Devido a uma superstição macabra, que atribuiu poderes sobrenaturais aos “zero-zero” – como são pejorativamente chamados –, nenhum albino está a salvo na África Oriental, sobretudo na Tanzânia e no Burundi. Eles são caçados e têm o corpo retalhado para ser vendido aos fabricantes de mandingas. Samwel Mluge, albino de 50 anos que vive na Tanzânia, casou-se com uma albina e a alteração genética foi transmitida aos seus cinco filhos. “Sempre digo às crianças para serem cuidadosas e só andarem em grupo”, disse Mluge a VEJA. “Eu me sinto caçado como um animal.”

Na Tanzânia, país entre os últimos colocados no ranking de desenvolvimento humano da ONU e com renda per capita de 440 dólares, o comércio de órgãos para feitiçaria é um negócio que vale qualquer risco. As partes mais valorizadas do corpo de um albino (dedos, língua, braços, pernas e genitais) podem atingir 3 000 dólares a peça. Apesar de a incidência de albinismo no país estar cinco vezes acima da média mundial, a demanda é tão grande que a Tanzânia importa clandestinamente pedaços de corpos. Pescadores tecem fios de cabelo de albinos em suas redes para ter sucesso na pescaria. Mineiros penduram no pescoço amuletos feitos com seus ossos moídos. Quem consegue beber o sangue ainda quente de um albino tem sorte em dobro. Melhor ainda se for de uma criança, pois a pureza infantil intensifica o poder do feitiço.

Alimentado pela miséria e pela ignorância, um extenso rol de tradições brutais persiste na África. A mutilação genital das meninas é a norma entre a etnia majoritária do Quênia, por exemplo. A tortura e o assassinato pelos próprios familiares de crianças acusadas de possessão demoníaca são uma praga na África Austral. O caso dos albinos provoca maior indignação mundial devido aos esforços de um albino canadense, Peter Ash, que criou a ONG Under the Same Sun para pressionar o governo da Tanzânia a reprimir o tráfico de carne humana. Poucas providências foram tomadas. “Sabemos que pessoas poderosas se consultam com os feiticeiros e não querem ver seu nome em tribunais. Se as vítimas fossem normais, os culpados já estariam presos”, disse Ash a VEJA. Na semana passada, ele desembarcou na Tanzânia para continuar sua campanha. Por razões óbvias, fez-se acompanhar de três guarda-costas.

Fonte: http://veja.abril.com.br/300909/comercio-horrores-p-142.shtml

Posted in Tráfico de Órgãos | Etiquetado: , , | 1 Comment »

Moçambique: Criança com órgão genital mutilado volta a Portugal para nova cirurgia

Posted by Daniela Alves em abril 16, 2009

Lisboa, 13 Abr (Lusa) – Um menino moçambicano que sofreu uma mutilação genital e realizou uma cirurgia de reparação no Hospital Dona Estefânia, em Lisboa, voltou quatro anos depois a Portugal para nova intervenção, informou hoje fonte da Amnistia Internacional.

O rapaz, de 13 anos, chegou hoje a Lisboa acompanhado do pai e contará com o apoio da Amnistia Internacional durante a sua estada em Portugal.

“O menino vai ao Hospital Dona Estefânia, na segunda-feira, para realizar uma consulta médica e, posteriormente, será internado para a cirurgia”, declarou à Agência Lusa Maria Teresa Nogueira, voluntária da Amnistia Internacional que está a acompanhar o menino moçambicano.

Maria Teresa Nogueira assegurou que a criança já tem seus órgãos genitais em plenas funções e esta cirurgia será para a reparação estética.

Segundo a volunária da ONG, “o rapaz ficará na Figueira da Foz até ser internado, na casa de uma pessoa que já o acolheu da primeira vez em que esteve no país”.

“O retorno da criança à Moçambique ainda não está definido, pois tudo dependerá da sua recuperação”, referiu Maria Teresa Nogueira, acrescentando que a Amnistia soube do caso na altura dos acontecimentos e tem acompanhado a situação do rapaz, assim como a Liga dos Direitos Humanos de Moçambique.

Em Outubro de 2003, a criança estava a ir para a escola, nos arredores de Chimoio, na província de Manica, quando foi atacada por dois homens, tendo parte do seu pénis sido cortado.

O menino, então com 9 anos, foi encontrado muito ferido e a pedir ajuda.

A Liga dos Direitos Humanos de Moçambique interveio no caso e, dias mais tarde, os homens – que alegadamente eram traficantes de órgãos – foram detidos.

“Infelizmente, não sabemos o que aconteceu a estes traficantes e tão pouco ficamos a saber quem era o mandante”, declarou Alice Mabote, presidente da Liga dos Direitos Humanos de Moçambique.

Em 2005, Alice Mabote acompanhou a criança a Portugal para realizar a primeira operação, que decorreu também no Hospital Dona Estefânia.

Um relatório da Liga dos Direitos Humanos, publicado em Março, concluiu que o tráfico de órgãos humanos entre Moçambique e a África do Sul é uma realidade constante e que as autoridades dos dois países nunca detiveram e levaram a tribunal alguém na posse de membros, cabeças, dedos ou órgãos genitais de seres humanos por não existir legislação que proíba a posse.

“Precisamos de legislação. Não existem leis que proíbam as pessoas de transportarem um dedo humano. A lei proíbe que o cortem, mas não proíbe a sua posse”, afirmou Alice Mabote na apresentação do relatório.

Dedos, órgãos genitais masculinos e outros órgãos são utilizados em remédios tradicionais vendidos pelos curandeiros por se acreditar que a potência dos medicamentos tradicionais é aumentada pela utilização de órgãos humanos, salientaram os investigadores.

Os órgãos humanos também podem ser usados, através de práticas de curandeiros, para dar sorte nos negócios, casamentos e relações, ou azar aos concorrentes e inimigos.

Fonte: http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/508514

Posted in Tráfico de Órgãos | Etiquetado: | Leave a Comment »

EUA: Pais acusam hospital de matar seu filho para retirar-lhe os órgãos

Posted by Daniela Alves em março 6, 2009

Todos os médicos que desligarem o respirador de um paciente traumatizado encefálico severo – supostamente para prognosticar morte encefálica — podem estar cometendo homicídio por dolo eventual e estão sujeitos a processo judicial também no Brasil e junto com o CFM, responsável pela Resolução 1.480/97, que não tem hierarquia superior à Constituição Federal e à legislação penal, como querem fazer crer gestores médicos.  Não existe “direito de matar” como “defende” procurador de justiça de Goiás em tentativa anedótica de proteger interesses que são de obrigação do Ministério Público reprimir.

Há irrebatível documentação e provas judiciais já constituídas para esta responsabilização ser posta em prática. O desligamento do respirador nesta situação de prognóstico de morte constitui-se em homicídio de até 2/3 dos pacientes (aqueles que não entram na zona de penumbra isquêmica em queda livre) submetidos a este procedimento letal.

Conforme admitido pela Câmara Técnica Brasileira da Morte Encefálica em 1998/99 (e publicado pelo Jornal do Brasil em fevereiro de 1999), cujas atas das reuniões obtivemos em processo judicial, o protocolo de morte no Brasil foi feito por razões de “custo-benefício” e com o objetivo de proteger estes médicos contra processos judiciais, pois eles sabem muito bem o que significa o desligamento do aparelho de respiração de um traumatizado encefálico severo por 10 minutos com o seu verdadeiro objetivo de fornecer órgãos vitais únicos para o bilionário interesse da atividade transplantadora.

O consentimento para doação de órgãos nas circunstâncias atuais é inválido devido à indução a erro promovida entre doadores e seus familiares, e seria impossível no Brasil se o seu custo venha a ser a vida do doador, como acontece na maioria dos casos.

O tráfico de órgãos humanos não está fora da medicina, mas dentro, e não poderia existir de outra forma para alcançar os patamares de terceira atividade criminosa organizada mais lucrativa do mundo, perdendo apenas para o tráfico de drogas e de armas, conforme acusa a Polícia Federal e foi constatado em CPIs nos últimos anos.

Celso Galli Coimbra – OABRS 11352

Fonte: http://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/03/06/pais-acusam-hospital-de-matar-seu-filho-para-retirar-lhe-os-orgaos

Parents Accuse Hospital of Killing Son to Harvest Organs

By Kathleen Gilbert

PITTSBURGH, PA, March 5, 2009 (LifeSiteNews.com) – An Ohio couple filed a lawsuit Wednesday accusing doctors of removing a breathing tube from their 18-year-old son, who had suffered a brain injury while skiing, in order to harvest his organs.

Michael and Teresa Jacobs of Bellevue, Ohio, parents of Gregory Jacobs, maintain that their son’s death was caused, not by his injury, but by doctors removing his breathing tube and administering unspecified medication in preparation for organ removal.

The charges were filed against Pittsburgh’s Hamot Medical Center doctors and a representative of the Center For Organ Recovery and Education (CORE).

The parents also say the CORE representative directed that Jacobs’ organs be removed in the absence of a valid consent.

“But for the intentional trauma or asphyxiation of Gregory Jacobs, he would have lived, or, at the very least, his life would have been prolonged,” says the lawsuit.  “Gregory was alive before defendants started surgery and suffocated him in order to harvest his organs,” which included his heart, liver and kidneys.

The suit maintains that Jacobs “experienced neither a cessation of cardiac activity nor a cessation of brain activities when surgeons began the procedures for removing his vital organs.”

The parents filed the suit in the U. S. District Court in Pittsburgh seeking more than $5 million for their son’s pain and suffering, medical bills, funeral expenses, and punitive damages.

The lawsuit comes only weeks after neurologist Dr. Cicero Coimbra told a Rome “brain death” conference that, “Diagnostic protocols for brain death actually induce death in patients who could recover to normal life by receiving timely and scientifically based therapies.”  (http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/feb/09022504.html)

Coimbra referred to the so-called “apnea test,” whereby living patients who cannot breathe on their own have their ventilator removed, and are deemed “brain dead” if after ten minutes patients do not resume breathing.  The problem with the test, said Coimbra, is that otherwise treatable patients sustain irreversible brain damage by oxygen deprivation during that ten minutes.

http://www.lifesitenews.com/ldn/2009/mar/09030505.html

Fonte: http://biodireitomedicina.wordpress.com/2009/03/06/pais-acusam-hospital-de-matar-seu-filho-para-retirar-lhe-os-orgaos

Posted in Tráfico de Órgãos | 2 Comments »

Entrevista com Nancy Scheper-Hugues sobre Tráfico de Órgãos

Posted by Daniela Alves em março 5, 2009

sriimg20030624_3977402_0

Entrevista com a pesquisadora Nancy Scheper-Hugues da Universidade de Berkeley e fundadora da organização ORGANS WACTH (que trabalha no combate ao tráfico de órgãos no mundo – viveu durante 10 anos no Brasil). Revista Época, edição 290 de 08/12/2003.

ÉPOCA – Quando a quadrilha descoberta pela polícia brasileira (em 2003) começou a atuar?

Nancy – Pelas nossas informações, esse esquema nasceu há dez anos em Israel. No início, buscavam doadores entre refugiados palestinos. Mas o esquema foi denunciado por jornalistas e a quadrilha passou a buscar gente na Turquia e no Leste Europeu. Há cerca de um ano, descobriram os brasileiros.

ÉPOCA – Por que realizavam os transplantes na África do Sul?

Nancy – Durante o regime do Apartheid, os médicos de lá criaram centros de excelência em transplantes para a população branca. Mas limitações do governo em bancar os tratamentos provocaram uma crise no setor. A saída para várias clínicas foi buscar pacientes no exterior, principalmente no Canadá, EUA, Japão, Arábia Saudita e Israel. Isso criou condições para que agentes também procurassem doadores fora. Sul- africanos não serviam por causa dos altos índices de contaminação por Aids no país e também pelo racismo.

ÉPOCA – Há quanto tempo existe tráfico de órgãos no Brasil?

Nancy – Pelas indicações que temos, o comércio para transplantes vem do final dos anos 70. De acordo com os cirurgiões que entrevistei, no final da ditadura militar era flagrante o tráfico velado de cadáveres, órgãos e tecidos retirados de pessoas das classes sociais e políticas mais desprezadas,com o apoio do regime militar. Um médico veterano, agregado a um grande hospital acadêmico de São Paulo, revelou que cirurgiões como ele próprio recebiam ordens para produzir cotas de órgãos de qualidade. Às vezes, eles aplicavam injeções de barbitúricos fortes e em seguida chamavam dois outros médicos acima de qualquer suspeita para testemunhar que os critérios de morte cerebral haviam sido preenchidos e que os órgãos podiam ser retirados.

ÉPOCA – E depois do período militar?

Nancy – Existe o tráfico aberto e semi-clandestino de tecidos e órgãos envolvendo a corrupção de encarregados de institutos médico-legais, necrotérios, etc. Também tenho casos bem documentados no Brasil de roubo de órgãos de pacientes. Um comportamento criminoso por parte de alguns médicos, que tiram vantagem de pessoas submetidas a pequenas cirurgias para remover ao mesmo tempo uma mercadoria preciosa. Um exemplo é o caso de Laudicéia Cristina da Silva, uma jovem recepcionista de São Paulo. Em junho de 1997, um de seus rins foi retirado sem seu conhecimento durante pequena cirurgia para remoção de um cisto ovariano. O cirurgião do hospital explicou que o enorme cisto havia envolvido o rim, coisa altamente improvável. O hospital recusou-se a apresentar seus registros médicos. Laudicéia, porém, deu seguimento ao processo legal. Em julho de 2001, o Conselho de Medicina revelou para mim que o caso estava próximo de ser resolvido por acordo. Como muitos casos que investiguei, esse tipo de acordo inclui uma cláusula de sigilo. Assim, a verdadeira história nunca vem a público.

ÉPOCA – Já houve algum assédio estrangeiro direto com relação aos órgãos brasileiros? Continue lendo »

Posted in Tráfico de Órgãos | Etiquetado: , | Leave a Comment »

IMIGRAÇÃO: ITÁLIA DIZ TER EVIDÊNCIAS DE TRÁFICO DE ÓRGÃOS DE MENORES

Posted by Daniela Alves em janeiro 30, 2009

O ministro do Interior italiano, Roberto Maroni, afirmou nesta sexta-feira que “existem evidências” de tráfico de órgãos de imigrantes menores de idade, que “estão ou foram localizados na Itália”.

Em discurso durante a assembleia anual do Fundo para a Infância das Nações Unidas (Unicef), em Roma, o ministro explicou que para enfrentar o problema será aplicada “a execução do acordo internacional que dá à Itália acesso ao banco nacional de dados de DNA, conectados a países europeus e não-europeus”. 

Segundo o ministro, com este instrumento será possível comprovar melhor a existência da prática. 

Maroni também comentou o problema enfrentado pelo governo italiano na ilha siciliana de Lampedusa, considerada a ‘porta de entrada’ da Europa para imigrantes ilegais africanos e onde o Centro de Primeira Acolhida está superlotado. 

“Ninguém será repatriado”, disse Maroni, explicando que para conter o excessivo número de imigrantes na ilha, foram realizadas transferências para outras comunidades de recepção. 

“Existe uma colaboração muito eficaz com todas as regiões da Itália para designar famílias que possam cuidar desses menores melhor”, afirmou o ministro. 

Por outro lado, a ex-presidente da Comissão Parlamentar para a Infância Maria Burani Procaccini revelou que “cerca de 60 mil vítimas do tráfico de órgãos no mundo são originárias do Brasil, Sri Lanka, Congo e Tailândia”. 

“É um negócio de 1,2 bilhão de euros, um escândalo que justifica a intervenção de Maroni e do governo [do premier Silvio] Berlusconi”, disse Maria Burani, que classificou o fato como “uma vergonha que ofende a humanidade”.

Fonte: ANSA

Posted in Tráfico de Órgãos | Etiquetado: | Leave a Comment »

O temor de doar os órgãos

Posted by Daniela Alves em janeiro 13, 2009

Hoje, na Folha de Salvador, foi publicada uma matéria sobre o Temor de se doar órgãos em nosso país, demonstrando que é um temor relacionado à falta de informação, para não dizer “ignorância” da população.

A máfia do tráfico de órgãos é composta por organizações criminosas que envolvem médicos, policiais, agentes do Estado…

É interessante quando percebemos que o Brasil é um dos países que mais investe em transplantes, no entanto, possui uma das maiores filas de transplantes do mundo, um tanto quanto contraditório.

Este assunto é delicado, e notícias como a do jornal Folha de Salvador,  só faz aumentar o tabu relacionado às denúncias e investigação sobre esse  crime. É difícil imaginar que os envolvidos nesse tipo de crime são pessoas que deveriam proteger a vida, e o assunto continua sendo tratado como lenda urbana e sendo reforçado como tal pelos meios de comunicação.

Posted in Tráfico de Órgãos | Leave a Comment »

Jornalista Júlio Ludemir mergulha na sombria rede do tráfico de órgãos

Posted by Daniela Alves em dezembro 18, 2008

Bolívar Torres, JB Online

 

RIO – Eis a pitoresca e cosmopolita cena: um brasileiro pobre de Recife se encontra, num hospital da África do Sul, com um milionário judeu de Israel, para quem vai doar seu rim. É o primeiro – e último – encontro antes da operação, e ambos choram, se abraçam e tiram fotos. Por mais estranha que pareça, a situação é verídica e está descrita em Rim por rim, reportagem romanceada sobre o tráfico de órgãos, do jornalista Júlio Ludemir.

O escritor achava que chegara ao limite ao mergulhar no universo indigesto do crime organizado, retratando as relações promíscuas entre o Comando Vermelho, líderes comunitários, ONGs, policiais, artistas, moradores de comunidades e os traficantes, tema de obras anteriores. Mas descobriu assuntos mais sombrios quando entrou em contato com a rede global do tráfico de órgãos, que viaja pelos países pobres à procura de fornecedores – consentidos ou não – para os doentes do Primeiro Mundo.

Diante da amplitude do assunto, resolveu focar sua pesquisa nos detalhes da conexão Pernambuco-África do Sul, que no início da década se instalou em Recife aliciando fornecedores de órgãos entre a população pobre local.

– Achava que não tinha mais para onde ir como narrador – garante Ludemir. – Mas, quando entrei em contato com essa história, fiquei sem teto. Cada personagem que eu entrevistava me fazia achar a história mais surpreendente. É um tema que permite até uma abordagem pop, mas eu me interessei pelo lado mórbido.

Crime global

O tráfico de órgãos é um fenômeno recente: até pouco, só existia no imaginário popular – no Recife, aparecia sob a figura do “papa-figo”, personagem que as mães usavam para assustar os filhos que teimavam em voltar tarde para casa. Com o aperfeiçoamento dos transplantes, porém, abriu-se um novo mercado. Havia a tecnologia, havia pessoas dispostas a pagar, mas faltava matéria-prima, ou seja, doadores.

A conexão investigada por Ludemir ligava três pontos do planeta. O primeiro são os doentes com dinheiro vindos do Japão, países do Golfo e Israel, onde restrições culturais e religiosas dificultam a coleta de doadores; o segundo é a África do Sul, com infra-estrutura hospitalar, mas leis enfraquecidas, possibilitando que as cirurgias sejam realizadas. E o terceiro é a periferia do Recife, onde a população humilde se mostrava disposta a trocar uma parte do seu corpo pelo sonho de uma vida melhor. Depois de aliciados, os moradores eram levados para uma clínica em Johanesburgo (África do Sul), entrando em contato pela primeira vez com uma cultura estrangeira.

– É o crime mais global que se pode imaginar – acredita Ludemir. – Chegou-se a criar um “turismo do transplante” para os milionários. Há tempos já deixou de ser lenda urbana.

Seguindo as pistas do drama pernambucano, Ludemir mostra a realidade, a penúria e os sonhos da parte mais baixa do turismo do transplante. O autor encontra personagens fascinantes, como o ex-pedreiro que com os US$ 15 mil trocados por seu rim construiu um pequeno patrimônio comprando casas na região, ou o desempregado que teve a recompensa confiscada pela polícia sul-africana e ficou circulando perdido em terra desconhecida logo após a operação.

Sem passar a mão na cabeça de ninguém, retrata a ingenuidade de uma população que ignora que “vender rim” é um crime. São esses personagens – e o contexto no qual se inserem – que ajudam a revelar a questão: por que, afinal, alguém é capaz de vender seu próprio rim por um punhado de dólares? Continue lendo »

Posted in Tráfico de Órgãos | Etiquetado: | Leave a Comment »