Blog – Daniela Alves

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Ainda não chegou o fim da escravatura

Posted by Daniela Alves em novembro 4, 2008

Novas formas de escravatura tornam mais difícil o seu combate. Haverá cerca de 12 milhões de escravos no mundo.

A escravatura como é apresentada nos livros de História acabou, mas existem hoje novas formas desta realidade que a colocam nos níveis mais altos de todos os tempos. No século XXI há mais escravos do que em qualquer outra época da história mundial. É a chamada “escravatura moderna“.

A ideia é reforçada pela coordenadora de campanhas e estruturas da Amnistia Internacional (AI), em Portugal, Luísa Marques. “A escravatura, na sua perspectiva histórica, em que o escravo era legalmente considerado como uma mercadoria e vendido em praça pública, foi claramente abolida na legislação em todo o mundo”, explica.

No entanto, “novas formas de escravatura têm surgido no contexto da globalização e os pressupostos são ainda semelhantes aos que durante séculos inferiorizaram milhares de pessoas”.

12 milhões de escravos

Um estudo divulgado em 2005 pela Organização Mundial do Trabalho aponta para a existência de cerca de 12,3 milhões de pessoas vítimas de escravatura no mundo. A organização não governamental Free The Slaves (FTS) vai mais longe e estima esse número em 27 milhões.

24 milhões estão localizados na Ásia, o que coloca esta região do planeta no centro da escravatura moderna. Seguem-se a América Latina, com 1 milhão e 300 mil escravos, e o conjunto África e Médio Oriente, com cerca de 920 mil. Noventa dólares, cerca de 70 euros, é o preço médio de venda de um escravo no mundo, estima a FTS.

Formas de escravatura menos visíveis

A escravatura moderna assume actualmente várias formas: o tráfico de seres humanos para exploração sexual e laboral, o tráfico de pessoas para a venda de órgãos humanos, a exploração laboral dos trabalhadores migrantes, a escravatura sexual na prostituição e como forma de intimidação em contexto de guerra, o uso de crianças em conflitos armados e o tráfico de crianças associado às redes de pornografia infantil.

Luísa Marques explica que estas “são formas de escravatura menos visíveis que tornam mais difícil o seu combate. Exploram a vulnerabilidade e as carências, especialmente financeiras, das potenciais vítimas que muitas vezes são apanhadas nestas redes, sem se aperceberem que se tornaram escravas. Trabalham em condições degradantes, são obrigadas a viver em habitações sobrelotadas e são sujeitas a outros abusos, incluindo maus-tratos físicos, por parte dos empregadores e agentes de recrutamento”.

Neste novo cenário, “as minorias, as populações mais carenciadas e as pessoas que de uma forma geral são percepcionadas como mais frágeis, como as mulheres e as crianças, continuam a ser os alvos preferidos”, explica Luísa Marques.

Fonte: Jornalismo PortoNet

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Espanha: Desmantelada rede de trabalho escravo que explorou cerca de três mil portugueses

Posted by Daniela Alves em abril 29, 2008

De acordo com as autoridades, os 28 detidos são acusados dos crimes de sequestro, escravidão, tráfico de pessoas, associação criminosa e branqueamento de dinheiro.

A polícia acredita que os detidos exploraram, pelo menos, três mil portugueses em trabalhos agrícolas nas regiões de La Rioja, Navarra, País Basco e Aragão.

Na conferência de imprensa hoje em Espanha, António Almeida Pereira, da Polícia Judiciária do Porto, adiantou que o desmantelamento da “rede de exploração de trabalhadores portugueses em Espanha teve lugar na semana passada”.

“No dia 21 de Abril foram detidos 19 suspeitos em Espanha e nove em Portugal. Os detidos em Portugal já foram presentes ao juiz de investigação criminal e dois ficaram em prisão preventiva”, acrescentou.

Por seu lado, o coronel da Guardia Civil espanhola Francisco Arribas sublinhou que os trabalhadores eram instalados “às vezes em barracões, em condições muito precárias”.

Disse ainda que a rede angariava sobretudo pessoas “de baixa escolaridade e com problemas de álcool ou de droga” e que se “aproveitavam do seu baixo nível intelectual para ficarem com os seus cartões Multibanco e os códigos para manejarem as contas”.

A operação, iniciada em 2005, teve também a colaboração do Eurojust, o organismo europeu criado em 2002 para lutar contra a delinquência organizada, o que permitiu emitir 31 mandatos europeus de detenção.

Desses 31 mandatos faltam cumprir três porque dois dos suspeitos estão na Suíça e outro está hospitalizado.

Todos os detidos vão ser julgados em Portugal, porque o Eurojust considerou ser a jurisdição mais competente, com independência do lugar onde os crimes foram cometidos.

A Polícia Judiciária portuguesa deteve nove pessoas em Portugal, enquanto em Espanha a Guardia Civil deteve os outros 19.

Segundo os investigadores, a organização, perfeitamente estruturada e hierarquizada, era formada por uma centena de pessoas de vários grupos familiares, com um chefe que controlava a organização.

Os alegados exploradores aliciavam os trabalhadores em zonas marginais da zona do Porto e aproveitavam-se do facto de pertencerem a famílias problemáticas, de serem analfabetos ou viciados em drogas ou álcool, indicaram as autoridades.

Com a promessa de pagarem salários elevados, os suspeitos levavam-nos para Espanha, onde se alojavam em condições “muito precárias”.

Os detidos abriam contas bancárias em nome dos trabalhadores, onde os empresários espanhóis depositavam os salários, mas eram os supostos exploradores que ficavam com os cartões e os códigos de acesso, pelo que as “vítimas” não tinham acesso aos seus ordenados, de cerca de 700 euros.

Além disso, os alegados exploradores descontavam-lhes parte do ordenado para as despesas de alojamento e alimentação e, por vezes, proporcionavam-lhes drogas e serviços de prostitutas, cujos custos também lhes eram retirados da conta.

Foram os familiares dos trabalhadores quem apresentaram queixa às autoridades do seu desaparecimento e das suas suspeitas de que estavam a ser explorados.

Há precisamente um ano, surgiram também denúncias de trabalhadores portugueses que estavam a ser vítimas de exploração laboral na região espanhola de La Rioja.

Fonte: Lusa/Fim

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Escravidão na América (tráfico na Bolívia, Paraguai e Argentina)

Posted by Daniela Alves em abril 4, 2008

Nelson Vilca

Na cidade de Córdoba, encontra-se o centro de residentes Bolivianos onde habitualmente se denuncia abusos dos direitos dos residentes Bolivianos na Argentina, onde somos testemunhas também do tráfico de bolivianos para trabalhos forçados, insalubres e logo que remunerados, trabalho escravo. Muitas vezes explorados tanto por bolivianos como por argentinos, mas por assim dizer pouco as organizações como o ministério do trabalho, a fiscalização e a polícia não desenvolvem o trabalho que deveriam fazer por ofício e as vítimas não denunciam os fatos muitas vezes por ameaças, e o consulado da Bolívia ao invés de reverter esta realidade só se ocupa de desviar dos jornalistas quando a notícia é capa dos diários e não há campanhas de informação e denúncia destes feitos à toda comunidade.

Mas isto não é o único nessa província, também houve casos no povo originário Qom (toba) oriundos do Chaco, província do norte argentino, que também correram com a mesma sorte e onde os resultados só foi uma denúncia no qual a causa dorme em uma gaveta.

A prostituição infantil também está presente, em pequenas cidades no interior da província de Córdoba como Vila Maria, Río Cuarto Bell Ville. Mas toda esta informação só serve para a capa dos diários de um dia e do debate da rádio e televisão de dois ou três dias.

Além disso, costumam bater no peito as autoridades e os discursos que dizem “estamos fazendo tudo o que esta a nosso alcance para isto não volte a acontecer” e depois destas palavras, o jornalista que diz “por favor doutor uma foto para o diário” e o sorriso correspondente certamente, mas enfim.

Para poder seguir analisando a situação, devemos seguir o fio condutor a estes fatos e averiguamos as origens destes casos e sua procedência. Viajamos ao Chaco e Formosa onde há casos de seqüestro de crianças e captação de mulheres para a prostituição, mas paramos também em Santiago del Estero lugar propício para captar às crianças de famílias pobres, e os mecanismos são os mesmos nas diferentes províncias. Regularmente são casais que vão a uma comunidade pobre de Santiago com a desculpa de fazer turismo ou de fazer obras benéficas, levam alimentos e ao ver que têm vários filhos lhes perguntam se não querem que eles tenham uma melhor vida. Então o suposto casal promete que lhe dará um melhor bem-estar e levando-o à grande cidade onde poderá estudar e trabalhar na casa deste casal feliz. Uma vez que se vão do povoado estas pessoas não voltam mais.

As crianças e meninas são levadas para exercer a prostituição ou são vendidas para trabalho escravo, este casal antes de retirar-se do povoado lhe dá regularmente 100 ou 50 pesos para que alimente aos outros filhos, isto faz com que o custo da obtenção deste menino seja de 50 ou 100 pesos somando também o custo do combustível para chegar nesse povoado, ou seja custo total do menino 150 pesos argentinos. Depois este menino é agenciado por um proxeneta em Buenos Aires ou outra cidade, se é vendido pode custar entre 300 ou 500 pesos a venda e se o vende várias vezes já que o menino ou menina não fica em um só lugar mas é transportado constantemente. Continue lendo »

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Haiti, onde se compra escravos por 50 dólares

Posted by Daniela Alves em março 27, 2008

Por Aloisio Milani

 http://aloisiomilani.wordpress.com/2008/03/19/haiti-onde-se-compra-escravos-por-50-dolares/

É estranho como alguns temas são recorrentes na carreira de jornalista. Há cerca de cinco anos atrás fiz um livro-reportagem sobre o abuso e a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil. Viajei para Recife, Palmares, Fortaleza e Canaã para acompanhar denúncias. Agora, em minhas pesquisas sobre o Haiti, a história dos restavek reapareceu com este tema. Tenho a imprenssão que são casos de semelhante violência, mas a dimensão haitiana é mais cruel pelo incrível assédio de famílias estrangeiras.

Na semana passada, ouvi uma ótima entrevista na NPR, rádio pública dos Estados Unidos, com o autor de um novo livro sobre a escravidão moderna. Benjamin Skinner escreveu “A Crime So Monstrous: Face-to-Face with Modern-Day Slavery“. Em sua entrevista relatou que viveu situações no Haiti em que se podia comprar uma pessoa por US$ 50 e com ela explorar sexualmente ou para o trabalho doméstico. Clique aqui para ouvir em inglês a entrevista de oito minutos com ele pela NPR. Há um trecho com a gravação de sua apuração no Haiti.

“Para nossa referência, digamos que o centro do universo moral é a sala S-3800 do Secretariado das Nações Unidas, em Manhattan [sala do comandante da ONU]. A partir daqui, você está há cerca de cinco horas de ser capaz de negociar a venda, em pleno dia, de um saudável menino ou uma menina. Seu escravo virá em qualquer cor que quiser, como Henry Ford disse, contanto que seja preto [frase famosa atribuída ao fundador da empresa Ford que iniciou a fabricação em massa de automóveis]. Idade máxima: quinze. Ele ou ela podem ser usados para qualquer coisa. Sexo ou trabalhos domésticos são os mais freqüentes usos, mas cabe a você decidir.”

Aqui um trecho do livro de Skinner com tradução livre minha e alguns grifos pessoais. Ele descreve sua saga ao chegar no Haiti, descer no Aeroporto Tossaint L’Ouverture e procurar um escravo. “Em 1850, um escravo custaria entre US$ 30.000 para US$ 40.000 – em outras palavras, era como investir num Mercedes. Hoje, você pode ir ao Haiti e comprar uma garota de nove anos para usar como uma escrava sexual e doméstica por US$ 50. A desvalorização da vida humana é incrivelmente pronunciada”, disse na entrevista à NPR.

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