Blog – Daniela Alves

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Família Calabresi é alvo de ação indenizatória de R$ 1 mi

Posted by Daniela Alves em abril 29, 2008

O Ministério Público do Trabalho (MPT) ajuizou ação civil pública na Justiça do Trabalho de Goiás requerendo a condenação da família Calabresi a pagar indenização mínima de R$ 1 milhão por ter utilizado trabalho escravo infantil doméstico. O MPT justificou a ação em razão dos atos de extrema violência, abusos, trabalho forçado, tortura e ameaças, bem como da gravíssima ofensa aos direitos humanos e à ordem jurídica cometidos pelos integrantes da família contra uma menor, que teria sido reduzida à condição de “coisa”. Caso haja condenação, o dinheiro deverá ser revertido para o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT).

O MPT pede a condenação dos réus ao cumprimento de obrigação de não mais utilizar trabalho escravo e infantil doméstico e à condenação pecuniária por danos morais coletivos, tendo em vista que a agressão da família ofende não só a adolescente mas toda a sociedade brasileira. A ação civil pública será distribuída para a 10ª Vara do Trabalho de Goiânia, onde já tramita medida cautelar na qual foi deferido o bloqueio dos bens da família.

Fonte: A Tarde online

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Submundo do futebol

Posted by Daniela Alves em abril 3, 2008

Por Landa Araújo. Jornalista. landaaraujo.blogspot.com

No país de craques como Pelé, Ronaldinho e Kaká, o Brasil tornou-se vitrine para clubes internacionais interessados em jogadores cada vez mais jovens. A possibilidade de viajar para o exterior e ganhar muito dinheiro é o sonho de milhares de garotos. A mudança de realidade para um futuro promissor pode se tornar um pesadelo para vários meninos que aceitam propostas no exterior e acabam abandonados sem nenhum auxílio.

Na máfia do futebol, muitos acordos com clubes sem expressão ou a não adaptação à vida no exterior podem tornar a vida destes jovens um pesadelo. A maior dificuldade destes jogadores que não despontam é tentar sobreviver com outras atividades, mesmo sem falar o idioma local.

“Existem muitos trabalhando como garçons, lavando pratos ou cantando pagode. Alguns se prostituem. Sempre existiu esse tipo de problema. Eu presenciei muitos jogadores que chegaram a Portugal e o nome do clube era outro”, diz Walter Machado Filho, o Waltinho, que jogou no Flamengo na década de 80 e durante 11 anos em Portugal. Atualmente ele é professor de dois projetos de futebol, um no Complexo da Maré e o outro na Praia de Copacabana.

O coordenador executivo da organização de Direitos Humanos Projeto Legal, Carlos Nicodemos, diz que há casos de atletas de futebol desaparecidos: “De acordo com dados da Confederação de Clubes de Futebol (CBF) existem 282 pessoas desaparecidas no mundo, jogadores que saíram para jogar na Ucrânia e em outros países”.

há casos de jogadores desaparecidos
Carlos: há casos de jogadores desaparecidos

Vítimas do tráfico de pessoas

Tratados como produtos, esses jovens são vítimas da rede de tráfico de seres humanos, mais conhecido como TSH. Rodrigo Paiva, assessor da CBF, afirma que este é um problema mundial e que há uma preocupação das instituições que respondem pelo futebol no mundo. De acordo com ele, não se pode proibir que alguém tenha um representante para as negociações, mas o ideal é que seja um agente credenciado pela Federação Internacional das Associações de Futebol (FIFA): “Muitos vão sem garantias. Estamos preocupados, porque eles (agentes) usam uma série de artifícios. Contratam os pais para trabalhar fora e driblam qualquer tipo de prevenção”, diz.

Há um ano, uma instituição francesa de Direitos Humanos, Culture Foot-solidaire, denunciou ao Parlamento Europeu, através de um dossiê, a presença de 600 jovens da África e Brasil em situação irregular na Europa.

“Essas crianças foram levadas junto com as suas famílias em um procedimento que visa empregar os pais para que esses adolescentes fiquem em observação, para ver se podem ser comercializadas, ou não, como jogadores de futebol”, afirma Carlos Nicodemos. O especialista reapresentou a mesma denúncia em um congresso internacional na Espanha, que aconteceu em janeiro deste ano. A União das Associações Européias de Futebol (UEFA), afirma a urgência nas tomadas de providências, mas nada foi apresentado até o momento.

Outro problema relacionado ao tema, é a de que os pais muitas vezes são encaminhados para trabalhar em regiões distantes do local de treinamento dos filhos e explorados como mão de obra desqualificada: “Em nosso relatório, noticiamos casos em que os pais são agenciados em subempregos, em postos de trabalho desqualificados e horários indefinidos, para os filhos permanecerem no país”, completa Nicodemos, que termina em julho um estudo sobre o tema. “O tema é muito pouco desenvolvido quanto a isso, estamos montando uma agenda como medidas de enfretamento ao tráfico de adolescentes”, informa.

Pressão da família influência

O treinador Waltinho conta que muitos pais o procuravam para oferecer benefícios em troca da aceitação do filho: “Tinha mãe que se insinuava, o pai querendo pagar churrasco”. Para ele, a culpa de vários meninos irem para o exterior muito cedo é reforçada pela ganância dos parentes: “Muitos estão apenas preocupados com o dinheiro e não pensam se o filho vai ficar bem, se alimentar”.

é preciso ficar alerta com ofertas
Waltinho: é preciso ficar alerta com ofertas

Na opinião do agente de jogadores, Anselmo Paiva, que faz as articulações de clubes internacionais e jogadores brasileiros, os pais se iludem por causa da “indústria de sonhos”.

“Vivemos em um País muito pobre e os pais, normalmente, não conseguem visualizar o menino como médico, para eles é mais fácil vê-lo como jogador. Alguns acreditam que o filho vai passar a ganhar R$ 50, 100 mil reais por mês e joga para o garoto a total responsabilidade de salvar a família que muitas vezes insiste, mesmo se ele não levar jeito para o esporte”.

Rosângela Moreira da Silva é mãe de João Marcos Batista, de 14 anos, volante da categoria infantil do Fluminense e diz que “já ouviu falar do tráfico de jogadores pelas reportagens na televisão”. Ela diz que analisa bem as ofertas de agentes liga para pessoas do ramo, questiona com outras mães e não dá nenhuma resposta na hora da abordagem.

“Eu já recebi propostas, mas tenho medo de entrar em furada. O Clube (Fluminense) sempre alerta os pais. A Federação deveria ter uma conduta sobre isso, muitas crianças estão saindo mais cedo por causa da lei Pelé. Os empresários deitam e rolam”, finaliza Rosângela, que não quer que o filho abandone os estudos em hipótese alguma. “Eu cobro dele seriedade para que se dedique ao futebol, mas se ele não quiser mais, eu apoio a fazer o que bem entender”, diz.

Rosângela cobra seriedade do filho
Rosângela cobra seriedade do filho

Agentes credenciados – melhor solução

A CBF e a FIFA credenciam agentes, através de uma prova de seleção, uma maneira de identificar os empresários aptos ao setor de articulações internacionais. Mesmo assim, Anselmo Paiva deduz que apenas 30% dos empresários no mercado possuem registro, o que equivale a cerca de 300 credenciados. O cadastrado pelos órgãos FIFA/CBF traz mais garantias para o jogador, pois o empresário cumpre algumas tarefas como fazer um seguro de vida e fica sujeito à multa, suspensão e advertência se algo de errado acontecer ao atleta.

Também cabe ao agenciador, ajudar nas despesas do jovem atleta, como chuteira, plano de saúde e outras necessidades que não podem ser arcadas pela família. O retorno do investimento vem com o pagamento da instituição esportiva que comprou os direitos do passe do jogador.

Anselmo alerta que nem toda proposta sugerida é de qualidade: “Alguns empresários prometem que vão levar para Portugal e Itália. Na maioria das vezes são clubes pequenos”.

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