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Líder kosovar acusado de traficar órgãos de prisioneiros sérvio

Posted by Daniela Alves em abril 14, 2008

Carla del Ponte lançou um livro onde acusa o atual primeiro-ministro do Kosovo de ser cúmplice num esquema de tráfico de órgãos humanos. A antiga procuradora do Tribunal Penal Internacional diz que entre 100 a 300 prisioneiros sérvios nas mãos da guerrilha do UÇK foram levados para a Albânia, em 1999, onde lhes foram retirados os órgãos vitais para depois serem vendidos no mercado ilegal.

A procuradora que sentou no banco dos réus o líder sérvio Slobodan Milosevic explica agora com detalhe como recebeu as informações do transporte em caminhões desses prisioneiros, que cruzavam a fronteira para o lado albanês e se dirigiam a uma casa na localidade de Burrel, onde funcionava um autêntico bloco operatório clandestino. O pessoal médico retirava-lhes um rim e devolvia-os à prisão, de onde regressavam para lhes tirar outros órgãos vitais, provocando a morte destes prisioneiros. Por aquela casa terão também passado prostitutas albanesas e de outros países do leste europeu. Os órgãos eram depois transportados para o estrangeiro, “com o conhecimento e aprovação activa de altos oficiais do Exército de Libertação Albanês (UÇK)”, entre os quais o atual primeiro-ministro Hashim Thaçi.

Na origem desta investigação estão oficiais da ONU, jornalistas e um procurador albanês, disse Chuck Sudetic ao jornal El País. Eles investigaram a casa de Burrel, descobrindo rastos de sangue, produtos químicos utilizados em cirurgias e até uma geleira com órgãos com destino ao aeroporto de Rinas. Os habitantes da casa começaram por dizer que uma mulher tinha ali dado à luz, para depois mudarem a versão da história, justificando a quantidade de sangue por ali funcionar um matadouro.

Inquiridos sobre o porquê de só agora virem denunciar aqueles crimes, os autores dizem que na altura não era claro que estes crimes estivessem sob jurisdição do Tribunal para a Jugoslávia. “Os poucos albaneses do Kosovo dispostos a testemunhar teriam de ser protegidos, o que implicaria transferir famílias inteiras para o estrangeiro”. Del Ponte escreve também que muitos dos que faziam parte da Missão da ONU e da NATO para o Kosovo “temiam pelas suas vidas e pela dos membros das suas missões”.

Por outro lado, como afirma o jornalista e co-autor do livro, “Carla Del Ponte tem agora uma liberdade para falar que não tinha como procuradora-geral. Ela acha que é melhor explicar os mecanismos ocultos da justiça internacional com um livro do que com um artigo aborrecido para uma revista de advogados que ninguém leria. É possível que, contando esta história, as testemunhas se atrevam finalmente a falar”.

Agora é a ONG Human Rights Watch que exige uma “investigação formal acerca da veracidade das acusações” produzidas pelo livro de Carla Del Ponte por parte das autoriadades albanesas e kosovares.

As denúncias de Del Ponte estão no livro “A Caça. Eu e os Criminosos de Guerra”, escrito em parceria com o antigo correspondente do New York Times na região Chuck Sudetic. O lançamento na passada semana em Milão foi anulado por causa das novas responsabilidades de Carla del Ponte enquanto embaixadora suíça na Argentina.

“As declarações que contém não são compatíveis com a atual função de representante do governo suíço”, disse um porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros. A própria ministra pediu a Del Ponte que regressasse imediatamente a Buenos Aires nas vésperas do lançamento do livro, o que não veio a acontecer. A Suíça foi um dos primeiros países a estabelecer laços diplomáticos com o Kosovo, onde até já abriu embaixada.

Do lado kosovar, as reações não se fizeram esperar, com o ministro da Justiça Nekibe Kelmendi a classificá-lo de “uma invenção de Carla Del Ponte e dos sérvios para desacreditar o meu país”

Fonte: Opinión E

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