Íntegra da carta de Patrícia Camargo, deportada para o Brasil pelas autoridades espanholas
Escrito por Daniela Alves em Fevereiro 20, 2008
Meu nome é Patrícia Camargo Magalhães, tenho 23 anos e sou mestranda em física na USP. Dia 9 de fevereiro embarquei no vôo IB6820 saindo de Cumbica (Guarulhos) com destino a Madrid, local em que faria escala e seguiria ao destino final: Lisboa. Em Lisboa iria apresentar meu trabalho de pesquisa na conferência Scadron70, que começou dia 11/02 e termina 16/02. No entanto, a falta de documentos em mãos que provassem a minha estadia em Lisboa fez com que ficasse retida na aduana, sobre a desculpa inicial de verificação da quantidade de dinheiro que eu carregava. Ainda sem entender ao certo o que estava acontecendo, me dirigi ao local indicado e esperei ser chamada.
Cheguei ao aeroporto de Madrid 9h30 da manha de domingo. Ás 13h30 ainda esperava que alguém viesse falar comigo. Por diversas vezes ressaltei delicadamente à polícia que perderia a conexão para Lisboa. A resposta era sempre a mesma: “Senta-te, espera, si perdes el vuelo después te darán otro”.
Finalmente (após quatro horas esperando sem saber o que poderia acontecer), um policial apareceu com um pilha de passaportes nas mãos e foi chamando os brasileiros que iam então sendo liberados. E então percebi que todos os homens tinham sido liberados e só restaram as mulheres, em sua maioria negras e mulatas. Quando, depois de 5 horas de espera, chegou um outro avião da Venezuela, muitas outras mulheres se juntaram a nós e fomos todas levadas para o outro aeroporto onde ficaríamos presas por 3 dias até sermos enviadas de volta, na manhã desta terça-feira (12) às 11h35, no vôo IB6821.
Presa em situação parecida comigo, Camille Gavazza Alves, baiana de 34 anos, estava indo estudar inglês em Dublin, Irlanda. Tem um trabalho fixo na Companhia Petrobrás e havia conseguido uma licença de seis meses para freqüentar o curso. Possuía toda a documentação necessária para provar o motivo da viagem e foi deportada pelo governo espanhol sob a acusação de não conseguir provar os motivos – a mesma razão que alegaram para o meu caso.
Como nós, havia outras mulheres em situação parecida. Nádia, funcionária pública em Maringá (PR), pretendia visitar sua filha durante seu mês de férias. A filha de Nádia vive legalmente na Espanha há um ano e meio e seria a primeira visita da mãe à Madrid.
Ficamos presos no último andar do aeroporto, sem comunicação alguma com o mundo exterior a não ser por um telefone público para o qual era preciso comprar cartão. Éramos homens e mulheres de diversas nacionalidades, todos latinos e alguns africanos, ao todo mais de cem pessoas. O consulado brasileiro na Espanha foi acionado por nós e pelo Brasil, diversas vezes e por muitas pessoas diferentes, e nada fez frente ao nosso chamado de socorro. Nem ao menos respondeu nossas ligações.
Do telefone público da sala, mobilizei amigos que já estavam no congresso em Lisboa e família no Brasil, para que me mandassem provas de que eu estava devidamente inscrita no congresso e possuía reserva no hotel para o período do congresso.
As 14h30 da segunda-feira (11), por fim fui chamada para uma entrevista com a polícia, um advogado e um intérprete. A entrevista durou até em torno de 16h e foi a primeira vez, desde domingo de manhã, que fui ouvida pelas autoridades espanholas. Ao final, li meu depoimento cuidadosamente e por duas vezes pedi que ele fosse corrigido. Nele constava minha profissão, o valor da bolsa de mestrado, o motivo da viagem, a quantidade de dinheiro que eu levava, provas materiais como a cópia do meu pôster de apresentação, a capa de um artigo científico que levava meu nome, além de telefones de muitas pessoas e lugares em Lisboa que poderiam comprovar tudo.
Porém, de nada adiantou tudo isso. Nenhum telefonema foi dado, a minha carta estava pronta antes mesmo de terminar a entrevista (o horário do documento é 14h). Quando questionei a polícia a esse respeito, os agentes disseram que nada poderiam fazer e que quem decidia sobre quem seria enviado de volta ou aceito era o chefe da polícia. Perguntei: “Mas onde está o chefe da polícia?” e pedi que especificassem quais documentos faltavam. Fui ignorada. Não assinei a carta de expulsão.
Não levaram em consideração minhas explicações em momento algum. Me deixaram presa em um cárcere sem grades mas com regras. Fui privada da minha liberdade e de meus objetos de higiene pessoal – não pude ficar nem com minha escova de dente, pílula, ou qualquer outro artigo de higiene. Tampouco aceitaram os documentos e comprovações enviados por fax ou ligaram para os telefones fornecidos por mim para confirmar as informações. Fizeram a carta de expulsão antes mesmo de me ouvir quando pude falar.
Sobre as instalações do cárcere só tenho a dizer que se tratava de um ambiente degradante. No primeiro dia, não havia lugar para todos sentarem e tive que ficar uma boa parte do dia sentada no chão, inclusive na hora do almoço. Na janta, fazia frio não queria comer no chão, então fui comer sentada na bancada do banheiro.
Isso tudo é uma clara demonstração de preconceito social e sexual, e ainda uma violação clara dos Direitos Humanos e do Tratado de Fronteiras Shengen, do qual eles mesmos se utilizaram para me colocar fora de seu país. O próprio advogado presente na minha entrevista ficou irritado com a má-vontade em ouvir as pessoas entrevistadas.
Algo deve ser feito. O governo brasileiro não pode permitir que seus compatriotas sejam tratados de forma degradante. De minha parte, estou me informando para entrar com um processo contra o governo espanhol, via Itamaraty ou diretamente na corte espanhola (com o advogado que me acompanhou na entrevista) para reembolso da passagem e danos morais. No Brasil, vou processar o serviço consular brasileiro na Espanha – que não fez o seu trabalho.
Estou à disposição para outros esclarecimentos.
Atenciosamente,
Patrícia Camargo Magalhães
Ver também: http://blogdanielaalves.wordpress.com/2008/02/25/algumas-respostas-sobre-os-casos-de-deportacao/


Fevereiro 20, 2008 às 3:47 pm
Por favor preciso muito entrar em contato com a Patricia camargo magalhães, pois eu cheguei em madrid, dia 9/2 as 9:30 e só voltei pra casa no dia 11/2 as 00:05, eu estava com meu bebê de 17 meses, minhas irmãs moram na espanha a mais de 10 anos e apesar da documentação exigida que era a tal carta convite que eles pedem me deixarm 3 dias la, estive no mesmo lugar que a patricia e no mesmo dia, pena que não nos encontramos la, minhas irmãs contrataram uma advogada pra me tirar de la, mas foi inutil provaram de todas as formas que eu estava indo pra visitar minha familia mas mesmo assim, não deram atenção a advogada fez uma denuncia ao juizado de menores de madrid sobre os maus tratos da assistente social do local que de assistente social não tem nada, ela é sim uma torturadora psicologica… não tinha agua quente pra dar banho na minha filha, pedi alimento pra ela, as 11:00 da manhã e ela só trouxe as 16:30 e só depois de todo esse tempo que ela também resolveu trocar meu dinheiro pra que eu pudesse comprar um cartão telefonico e entrar em contato com minha familia, se bem que ela já tinha percebido algo estranho porque estavam todas me esperando no aerporto, os maus tratos eram horriveis só depois da advogada solicitar o comparecimento de um juiz de menores no local , que o tratamento foi outro, mas mesmo assim camuflaram o lugar o maximo que puderam pro juiz achar que la sim poderia ficar um bebê, o lugar é mal cheiroso, não tinha agua quente a criança ficou misturado com mais de 40 pessoas, o baneiro é coletivo fora que não é limpo. POR FAVOR ME AJUDEM A ENTRAR EM CONTATO COM A PATRICIA, TBM QUERO FAZER UMA DENUNCIA FORMAL, E TÔ AQUI PRA AJUDAR NO DEPOIMENTO DELA… OBRIGADA POR ENQUANTO.
Fevereiro 20, 2008 às 4:00 pm
Elisabete, entrarei em contato com vc por e-mail.
Abs
Daniela Alves
Fevereiro 20, 2008 às 6:39 pm
Lamentável o que aconteceu com a Patricia e muitas outras “Patricias” que pretendem entrar na Europa por motivos justos e topam sempre com a “simpática” polícia espanhola que parece não ver outra coisa além da imagem esteriotipada da mulher brasileira. É certo que muitas entram para exercer atividades ilícitas e muitas que entram somente com o passaporte, por isso eu recomendo sempre: PASSAR SEMPRE PELO CONSULADO ANTES, MESMO QUE SEJA DE GRANDE SACRIFÍCIO.
Abraços a todos e não desistam de lutar pelos seus direitos.
Fevereiro 20, 2008 às 6:41 pm
Estou reproduzindo em meu blog apenas pela solidariedade e pela movimentação da informação. Um nada e inércia de nossas autoridades. Abraço e respeito à Patrícia.
Fevereiro 20, 2008 às 7:48 pm
É lamentável tudo isto.
Ano passado tive de “socorrer” um amigo que retornou da espanha nas mesmas condições.
Mais lamentável é o DESCASO das nossas autoridades/MRE/consulados e governo federal que “baixam a cabeça” literalmente nestas horas. E ainda ficam fazendo propaganda de que somos “assistidos” pelos nossos embaixadores e cônsules!
É verdade que retiraram até sua escova de dentes.
É verdade que lhe deram “ração” que chamaram de comida.
É verdade que o banheiro é imundo.
É verdade que a sala fica fedendo de tanta gente.
E tudo mais é verdade!
Só não há verdade alguma nas justificativas das autoridades espanholas, que não querem admitir que impõem um CASTIGO aos viajantes para que nunca mais voltem!
Fevereiro 20, 2008 às 9:23 pm
Pra vocês verem como eles são loucos. Eu fui a europa com minha esposa em 2006. Entramos em Paris e depois um voo Paris - Madrid. Não fui parado em aduana alguma. Ninguém me parou nem perguntou nada.
Fui para Espanha, França, Alemanha, Itália. Na saída de volta, por Milão, fui parado e finalmente pediram meu passaporte. O policial achou estranho eu nao ter carimbo algum. (passaporte novo).
Eu falei que estranhava muito também. QUem estava lá há 20 das e ninguém me parou para perguntar nada.
Ele carimbou a saída (minha e de minha esposa) e embarcamos. Foi 1 minuto de conversa.
Fevereiro 20, 2008 às 9:25 pm
Eh um absurdo tudo isso e esses politicos bananas nao tomam nenhuma atitude em represalia a isso tudo. Tambem pudera, o brasileiro eh humilhado no proprio pais, imagina no exterior. O dia que os brasileiros acabarem com essa passividade e comecar a agir, ai sim, talvez a coisa mude.
Sinto muito por vc Patricia!
Fevereiro 20, 2008 às 10:21 pm
Caros,
Escrevo para me solidarizar com a Patricia e repudiar o tratamento desumano e xenófobo das autoridades espanholas em relação aos brasileiros. Conheço outros casos semelhantes, e em todos eles fica clara a disposição da Espanha de rasgar as regras do convívio internacional e as convenções de Direitos Humanos do qual aquele país é, estranhamente, signatário.
Sem mais,
Tito Montenegro
Fevereiro 21, 2008 às 12:21 am
Quando li o depoimento da Patrícia revivi as mesmas angústias que ela viveu naquele cárcere no aeroporto de Barajas, Madrid. Essa situação aconteceu comigo e meus familioares no dia 22 de janeiro deste ano, onde passamos por momentos de grande angústia, sem saber o que estava se passando, e o porque de estarmos detidas naquele lugar terrível. Quando pedimos para acionar o consulado brasileiro na Espanha o que tivemos como resposta era que o nosso consulado de nada valia naquele país. Ficamos horrorizadas com tal resposta!
Estávamos de férias escolares e escolhemos Madrid para passarmos uma semana. Compramos o pacote pela TAM VIAGENS. Nos deportaram no dia seguinte sem a menor explicação onde fomes escoltadas pela polícia até a escada da aeronave como se fóssemos criminosas. Como você Patrícia, fizemos todas as denúncias que podíamos, enviando o nosso relatório para o Itamaraty e para outros orgãos do governo tanto estadual como federal. Até o presente momento não tivemos nenhuma manifestação por parte das autoridades. Estamos certas de que vamos até onde pudermos com as nossas denúncias, para que possamos ser ouvidas.
Abraços, e que as autoridades tenham a dignidade de se manifestarem.
Fevereiro 21, 2008 às 2:50 am
Gostaria de dizer que passei exatamente pela mesma situação relatada pela Patrícia, naquele mesmo local, apenas alguns dias antes (fiquei lá de 19 a 21 de Janeiro). Sou doutor em engenharia, formado pela UFRGS, e atualmente sou bolsista-pesquisador em um projeto de pesquisa na UFRGS e professor na escola de engenharia da Ulbra. Estava indo para a Bélgica encontrar a minha namorada, que esta iniciando um período de 8 meses de estudos na Universidade Católica de Louvain La Neuve, como parte do doutorado dela (também em engenharia). No meu caso também faltavam apenas as reservas de hotel ou uma carta-convite. Para completar, ainda tive meu passaporte marcado, o que me impediu de tentar ir novamente. Eu sou testemunha do tratamento desumano que as pessoas recebem naquele lugar, e da falta absoluta de apoio aos brasileiros que ficam naquela situação. Tenho parentes na Europa que tentaram de tudo para me ajudar, e o único que tentou fazer alguma coisa foi o cônsul da Bélgica na Espanha. Faço questão de denunciar esta situação, e estou a disposição para qualquer esclarecimento.
Fevereiro 21, 2008 às 12:23 pm
Angustias vividas por mim por CINCO DIAS no Aeroporto de Barajas em julho de 2007 voltaram à tona com a notícia nas rádios e jornais da frustrante viagem de Patrícia. Eu estava de férias e ia me hospedar na casa de uma amiga que mora há 5 anos em Madrid, tinha passagem de ida e volta e dinheiro suficiente para os passeios, sou formada em letras pela USP e funcionária da Escola Politécnica também na USP e tinha todos esses comprovantes. Revolta-me a forma como vi latinos americanos e africanos sendo tratados naquela prisão, algo tem que ser feito, afinal o Tratado de Fronteiras Shengen não é bilateral? Como os europeus são tratados aqui? Alguém já ouviu história parecida no aeroporto de Guarulhos? Claro que não, o que nossos representantes fazem?
À todos que passaram por isso deixo aqui minha solidariedade e contato para que possamos nos unir e reivindicar nossos direitos (zabeleza@hotmail.com)
Abraços cordiais
Beta
(ps. Elisabete, entre em contato comigo)
Fevereiro 21, 2008 às 1:35 pm
Por Veronica Teresi
Estimados,
Imagino que já viram essa noticia… Estive pensando bastante nela e queria compartilhar com vocês e, quem sabe, até mesmo saber o que pensam sobre ela.
Náo que este caso concreto seja o único, porque diariamente alguns de nós sabemos que eles acontecem náo somente com universitários que iriam apresentar trabalhos no exterior, mas com pessoas comuns, estudantes, turistas, etc.
Acho que existem, pelo menos, duas coisas a serem levadas em considerçáo:
1. A posiçáo do consulado. No caso desta brasileira, é inimaginável a intençáo do consulado. Como se pretendia que a brasileira mandasse um pedido formal (escrito) para o consulado? Ela náo tinha acesso nem à escova de dente… Isso, ao meu ver, indica no mínimo, uma falta de sensibilidade para a situaçáo de fragilidade em que se encontram esses brasileiros, o que deve ser repensado e construído.
2. A situaçáo específica dessa brasileira em Madri. Sabemos da existência de restiçóes à entrada de migrantes na Uniáo Européia. Porém, o que mais sobressai sáo as formas como executam essa imposiçáo. Náo há informaçóes claras sobre os documentos que estáo faltando, as condiçóes em que permanecem as pessoas náo- adminitidas esperando a devoluçáo aos países de origem, na falta de informaçóes gerais e, inclusive, no momento de reavaliar casos em que fica esclarecida a náo intençáo de permanecer como imigrante irregular (o caso dessa brasileira, isso fica bastante evidente). Penso que esse fato concreto pode e deve inspirar mudanças na forma de tratamento aos imigrantes que chegam ao espaço territorial da Uniáo Européia.
Penso que esse caso pode colocar em questáo essas duas discussóes: 1) a atuaçáo do consulado brasileiro com relaçáo à atençáo aos brasileiros no exterior. e 2) a forma como a policia estrangeira trata os imigrantes, entre eles os brasileiros, que por ali passam.
Gostaria de saber o que vcs acham,
Um abraço
Veronica Teresi
PS: O comentário foi enviado pela Verônica por e-mail. Como a Verônica neste momento não pôde acessar o blog, postei o comentário enviado.
Fevereiro 21, 2008 às 8:58 pm
Seria o caso dela entrar com um processo contra as autoridades espanholas que, entre outras coisas, fizeram que ela perdesse o congresso e ainda tivesse o dissabor de ser tratada como ilegal ou suspeita. Um bom advogado da área de Direito Internacional privado poderia ajudar.
Abraços
p.s. Bola fora do nosso Itamaraty.
Fevereiro 21, 2008 às 8:58 pm
Que terrivel!!! Muito triste.
Fevereiro 21, 2008 às 9:17 pm
Gostaria de manifestar meu pesar e grande lamento pelo ocorrido. A partir de hoje ja penso duas vezes antes de seguir para um congresso fora do pais…este fato deve ser pauta de discussao pelo tempo que for necessario, ate que estes preconceitos sejam superados.
coloquei uma link pra materia no meu blog.
abraços
sidarta
Fevereiro 22, 2008 às 9:19 pm
Algunas veces y esta es una de ellas, me da verguenza ser español.
Es terrible que exista gente con tan poca humanidad en algo que aquí llaman el Estado de las Libertades.
Solamente puedo decir una cosa: perdón.
Ya sé que mi voz es únicamente una voz.
Pero espero que sirva para que quienes me lean piensen que en España hay buena gente, gente humana.
Un saludo.
Luis
Fevereiro 24, 2008 às 5:42 pm
Olá Patrícia, olá todos!
Eu estou perplexa com o que aconteceu! Quero dar meu depoimento: eu sou brasileira, estou no último semestre do meu doutorado em química, fazendo-o na Finlândia. Aqui, eu nunca sofri nenhum tipo de discriminacão. Fui a um congresso na Inglaterra e entrei sem problemas, apenas dei o nome do evento. Fui novamente à Inglaterra para visitar amigos, dessa vez o rapaz que verificava o passaporte até bateu um papinho comigo sobre como finlandês era difícil. Fui a outro congresso na Grécia e lá eles nem carimbaram meu passaporte! Mas, posso te dizer que tenho colegas português e espanhóis que não costumam agir com a mesma simpatia. Frequentemente essa pessoa espanhola tenta me humilhar na frente de nossos colegas, e um dia, quando eu disse que parecia que a água daqui era mais ácida pois me dava um pouco de azia, essa pessoa disse que é porque meu estômago está acostumado a beber “água suja”, então estranha a água limpa.
Conheci outros e, não quero generalizar senão me igualarei a eles mas, a península Ibérica realmente mostra mais preconceito em relacão aos brasileiros do que a europa do norte. Na Espanha as mulheres brasileiras são vistas como prostitutas. Que se dane o que a mídia mostra lá fora, no Brasil tem gente que trabalha, que estuda, que produz ciência! Apesar de ter sido bem tratada em todos os lugares que estive aqui na Europa (Alemanha, Suécia, Estônia, Paris) eu sempre vou “com um pé atrás”. Sei que posso ser vítima disso também. Eu gostaria que nos uníssemos e fizéssemos um abaixo-assinado pedindo a reparacão pela humilhacão que a Patrícia passou. Se um deputado menos corrupto pudesse propor algo como um selo de estudante no passaporte de todos os alunos vinculados à uma universidade… sei lá. O que não dá para aceitar é que um membro da comunidade científica passe por isso! Nós sabemos o quanto suamos para conseguir fazer pesquisa no Brasil, para pessoas ignorantes privarem um pesquisador de divulgar seus resultados! NOOOSSSAAA… eu estou com muita raiva disso…PATRICIA PUBLIQUE ESSES DADOS NUMA RESVISTA DE IMPACTO BEM ALTO E ESFREGA NA CARA DESSA GENTE!!!!!!!!!!
Fevereiro 24, 2008 às 5:44 pm
Compartilho a mesma dor de ter ficado detida, no dia 22 de janeiro deste ano. Neste dia era o aniversario de minha prima que me aguardava e aguardou ate praticamente o outro dia, juntamente com a sua familia que la reside. Ela ja havia preparado a recepçao que acabou nao acontecendo. Seu esposo, com os pais, tentaram diversas formas para me tirar de la. Minha família no Brasil de tudo fizeram. Comunicávamos pelo telefone da sala que fiquei juntamente com outros brasileiros e estrangeiros. E ficamos 25 horas ate a saída de volta ao Brasil. Verdadeiramente nunca havia passado por tal humilhaçao, uma situaçao muito constrangedora para uma pessoa, como tantas outras, busca uma vez na vida conhecer outro pais, em visitar parentes, pessoas muito queridas. Que nao prentende trabalhar ou morar la, ficar ilegal. Mostrei a polícia carta, dinheiro, cartões, comprovante de renda como funcionária pública, mas nada adiantou. Isso nao deveria ficar impune. Estou a disposição pra denunciar esta situação.
Março 1, 2008 às 5:29 pm
Olá Patricia sinto muito por essa situação.
Eu passei tb por uma situação na Espanha
A Policia da Espanha é desumana eu tenho uma carta de expulsão..
Fui presa ficaram com todos os meus objetos e fiquei numa cela parecia que eu era uma assassina uma deliquente…
Fiquei uma noite inteira presa qd amanhaceu o dia foram 4 policias me levar cafe parecia que eu era uma bandida muito perigosa fui fichada como uma pessoa que comete um crime…
Chorava muito que não conseguia me controlar nunca passei por situação dessa…
Mas infelizmente é assim eles tratam Brasileiro como cachorro….
Eu falei qd ia embarcar que europeu deveria ser tratado da mesma forma la no Brasil…eu não tinha mas o que perder….
Sinto muito Patricia o que aconteceu com vc…
Um grande abraço Fabiana
Março 8, 2008 às 2:11 pm
Saudacoes Patricia,
Sinto muito o ocorrido contigo, na verdade e muito triste o que aconteceu contigo em Madrid. Vivi na Espanha por cinco anos, sou meio coboclo-candango. Morei tambem em Londres onde sempre pensavam que era Marroquino pelo sotaque brasileiro(que as vezes parece sotaque frances pelas “r’s”, e pela cara de paraiba). Os Espanhois sao super simpaticos com os Brasileiros, adorao ao Brasil. O problema e que la, como no Brasil, as autoridades sao uma porcaria so, os Espanhois vivem o mesmo drama que os Brasileiros, o governo e cheio de leis idioticas/caoticas, a burocracia uma tormenta, e os cargos publicos cheios de pessoas incompetentes e preguicosas. Acho que tudo isso herdamos da velha penisula Iberica. No Brasil quem sofre a discrinacao sao os pobres, nordestinos e analfabetos(como nao ter educacao fosse o mesmo que ser retardado mental). O mesmo passa em toda a America Latina, se voce tem cara de Indio, vai ter as coisa mais dificeis de que se tivesse cara de Alemao. A sua atitude, apesar de tudo ocorrido com voce, e muito positiva. Voce tem razao e deve continuar sua batalha, nao so por brasileiros, mas contra discriminacao de qualquer tipo.
Sorte e Paz, e que Deus esteja contigo
Abril 8, 2008 às 8:23 pm
ola, isso ja vem acontecendo de muito tempo mas as pessoas não faz nada né, mas eu queria saber se tem como entrar com pedido de indenização das passagens aéreas, minha filha com minha sogra foram em novembro de 2007 e chegaram la foram muito humilhadas, minha sogra ja é bem de idade e minha filha tem 11 anos
passaram um terror la entao eu quero saber se tem jeito, o pai da minha filha mora la tinha todas as documentações necessárias mas foram deportadas espero uma resposta suas ta bom obrigada.
Maio 11, 2008 às 10:31 pm
Somos uma Assoc. sem animo de lucro que estamos a trabalhar na Espanha em Prol de Mulheres Brasileiras.
Somos:AME-Asoc. de Mujeres Emprendedoras-Brasail/España.
Gostariamos de obter o contacto da Veronica Teresi e de deixar o nosso contacto paa futuras conversas,socias e troca de informações.
Mail:asociacioname@gmail.com
Estamos em Madrid.
Cordialmente,
Junta Diretiva da AME.